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Desenvolvimento

A saga da mudança do perfil da economia capixaba até 2033

Ela já  é conhecida de todos. Superar a condição de plataforma de exportação de commodities e gerar agregação de valor com inovação, diversificação e sofisticação

Publicado em 07 de Fevereiro de 2026 às 04:30

Públicado em 

07 fev 2026 às 04:30
Antônio Carlos de Medeiros

Colunista

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros
Já estamos na direção das águas de março e da abertura da temporada eleitoral de 2026. Nest=se contexto, será incontornável o debate sobre os rumos da economia capixaba e sobre a política econômica regional do governo Renato Casagrande. Ano político.
A longa saga da economia capixaba já é conhecida de todos. Superar a condição de plataforma de exportação de commodities e gerar agregação de valor com inovação, diversificação e sofisticação.
Em economês, trata-se de criar as chamadas condições endógenas para o desenvolvimento estadual, balanceando os pesos das condições exógenas (plataforma de exportação de commodities) e das condições endógenas (inovação, diversificação, sofisticação, produção regional).
Com ênfase no adensamento das cadeias produtivas regionais, integradas às cadeias produtivas nacionais e internacionais. Com ênfase da modernização e ampliação da vocação logística da economia regional. E com ênfase na intensificação do desenvolvimento do turismo e da indústria da hospitalidade.
Mais ainda, com ênfase no aprimoramento das instituições e das organizações que levam a mudanças institucionais. Na trilha de Douglass North (instituições, isto é, regras do jogo) e de Pierre Bourdieu (capital social, isto é, confiança e reciprocidade). Se as instituições são as regras do jogo, as organizações são, digamos, os jogadores.
É a dimensão institucional do desenvolvimento, num mundo com cadeias produtivas (ainda) globais. No quesito instituições, o Espírito Santo evoluiu muito nos últimos 24 anos. Na direção da pactuação democrática e da construção de consensos.
Pois bem. A boa notícia é que temos fatos novos já neste início do ano. A montadora Great Wall Motors (GWM) assinou Memorando de Intenções com o Governo do ES para construir fábrica em Aracruz, com meta de atingir 60% das peças fabricadas no próprio Brasil.
Imagem interna de uma das fábricas da GWM
Imagem interna de uma das fábricas da GWM Crédito: Divulgação | GWM
É mais um vetor de adensamento de cadeias produtivas. Essa indústria necessita de produção de aço, ferro, alumínio, borracha, plásticos, vidro, couro, cobre, tintas, revestimentos, eletrônicos e semicondutores como matérias-primas – enumera Evandro Milet. Além disso, requer terras raras para baterias. Pode com isso, diz Milet, atrair investimentos para perto da indústria, “incluindo fornecedores de autopeças e sistemas complexos como motores e transmissões, sistemas de frenagem e suspensão, bancos e revestimentos internos, rodas e pneus”.
O conceito de adensamento de cadeias produtivas. Já em curso no ES com a cadeia produtiva floresta-indústria (Suzano); a cadeia produtiva metal-mecânica (ArcelorMittal e Vale) e a cadeia produtiva energética e gás-química (Petrobras, principalmente). Também adensadas e diversificadas com a Weg (linha branca), a Volare (cadeia automotiva e a Seatrium (cadeia naval).
Verticalização e horizontalização da produção. Efeitos multiplicadores na economia capixaba.
Aliás, fato novo em formação no plano da verticalização é o anúncio de investimento de R$ 4 bilhões pela ArcelorMittal em Tubarão, incluindo a implantação de uma Unidade de Laminador de Tiras a Frio (LTF), para a produção de eletrodomésticos e veículos no próprio municípios da Serra. Antigo “sonho de consumo” dos analistas do desenvolvimento capixaba.
Na área da modernização e ampliação da vocação logística da economia regional, fatos novos são a aceleração do projeto do Porto da Imetame, já com a assinatura de acordo com a HGT Terminals, grande transportadora de contêiners. Esse porto, como se sabe, integra o Parklog norte, em Aracruz, novo hub do processo de desenvolvimento capixaba.
E também o avanço das obras do Porto Central, em Presidente Kennedy. Nasce, neste caso, trata-se do embrião do projeto do Parklog sul.
Já na área de intensificação da indústria do turismo e da hospitalidade, o fato novo é o início da construção do aeroporto do Caxixe em Pedra Azul, no contexto de nítida guinada do Estado na direção de colocar o turismo como prioridade estadual e municipal, em processo de pactuação com o chamado Trade Turístico.
Tudo somado, trata-se de um conjunto de iniciativas e projetos de novos investimentos que tratam a questão do desenvolvimento com o conceito de rede, isto é, com o pressuposto da era do conhecimento, da informação, da sociedade e da economia em rede.
Essa visão da atuação em rede - cujo embrião foi impulsionado pela Aderes (Agência de Desenvolvimento em Rede do ES) nos idos de 1996/1998 - requer transversalidade e iniciativas compartilhadas. Vale enfatizar: iniciativas estanques geram pouca sinergia e dificultam efeitos multiplicadores para o desenvolvimento.
Nessa direção, a da atuação em rede, o ES avançou institucionalmente. A prática da pactuação democrática de consensos, envolvendo Estado & sociedade civil. Afinal, a tarefa do fomento, da articulação, da atração e promoção do desenvolvimento não é apenas do governo.
A saga do desenvolvimento (do ES) é um processo em aberto. Certamente, as eleições estaduais vão colocar esse tema nos debates político-eleitorais.

Antônio Carlos de Medeiros

Antônio Carlos de Medeiros Antônio Carlos de Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços nessas áreas

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