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Política e economia

A improvável janela para o Espírito Santo no governo Lula

No Brasil, o Estado tem sido visto como uma espécie de “tigre asiático” do ponto de vista econômico e fiscal. Abre-se, agora, a porta para o protagonismo político nacional

Públicado em 

26 nov 2022 às 02:30
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros

O governador Renato Casagrande tem dois grandes desafios políticos em seu terceiro mandato como governador do Espírito Santo. Internamente, o desafio de liderar a transição política em curso no Estado. Externamente, o desafio de ser protagonista nas relações dos Estados com o novo governo federal.
O destino parece querer reabrir para o Espírito Santo as portas da sua importância relativa no “concerto dos Estados” brasileiros.
Lula repetiu regularmente na campanha eleitoral que governará dialogando com os governadores e prefeitos. É um redesenho político-institucional. Requer que o Senado da República assuma com mais vigor a sua função precípua de Casa dos Estados. E que os governadores se articulem com mais vigor e efetividade no plano nacional, catalisando forças regionais e locais.
A política brasileira tem inequívoca dimensão regional. Esta dimensão advém de acentuadas diversidades e heterogeneidades, que fazem deste país um mosaico.
Lula sinalizou que vai buscar uma nova ancoragem federativa para criar condições de mediação política e produção de consenso no Brasil. Revigorar e ampliar canais múltiplos de mediação política, fortalecendo a âncora federativa. O país precisa sair da conjuntura de confrontação política para a normalidade política. Isto é, a normalidade do exercício da função da política como ferramenta de articulação e agregação de interesses. Mediação.
Já no próximo dia 7 de dezembro, Lula e governadores vão ter a primeira reunião, em Brasília. Reunião do Fórum Nacional de Governadores, a convite do governador Ibaneis Rocha, do Distrito Federal. Lula se comprometeu a restabelecer novo pacto federativo. Bingo.
O governador Renato Casagrande tem exercido, nos últimos quatro anos, protagonismo nos fóruns regionais e nacionais de governadores - e nos fóruns internacionais de debate da questão das mudanças climáticas.
Agora, este protagonismo pode ser ampliado e consolidado. No Brasil, o Espírito Santo tem sido visto como uma espécie de “tigre asiático” do ponto de vista econômico e fiscal. Abre-se, agora, a porta para o protagonismo político nacional, em novo “concerto dos Estados”.
Nossas lideranças políticas, empresariais e sociais têm, portanto, uma janela para sair do costumeiro “queixume” de que somos um patinho feio na Federação. Hora de agir e participar da nova concertação. O Brasil da mediação, da democracia e da prosperidade.
Dizem, apressadamente, que o Espírito Santo teria virado bolsonarista. Mas, ironias do destino, deverá ser o presidente eleito, Lula, que vai abrir novas portas e janelas para o ES. Vamos lembrar que será a segunda vez. Em seu primeiro mandato, ele concedeu uma espécie de “waiver” para o Estado, no primeiro governo de Paulo Hartung.
Para quem não lembra, tratava-se da aprovação de uma operação de securitização dos royalties do petróleo. Aquela operação foi decisiva para restabelecer o equilíbrio fiscal. Salvou o governo Hartung. E permitiu a retomada do caminho da responsabilidade fiscal – que é, até hoje, a marca do Espírito Santo no país: Nota A.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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