Os capixabas conferiram a Renato Casagrande novo mandato para liderar, até 2026, o epílogo da transição política capixaba. É disto que se trata: epílogo até 2026.
Em 2026, como todos sabemos, Casagrande não poderá disputar nova reeleição. E Paulo Hartung tem anunciado publicamente que não vai mais disputar mandatos eleitorais, embora continue dando contribuições políticas ao debate nacional.
Fim de um ciclo político que vai se estender de 2002 a 2026. É tempo de formação e ascensão de novas lideranças. Outras lideranças da geração de Casagrande e Hartung - como Carlos Manato, Audifax Barcelos, Max Filho e Guerino Zanon – parecem estar deixando a ribalta. Novos líderes estão em ascensão.
Líderes políticos não são formados em laboratório. A formação política, em movimentos cívicos e em associações civis ou universidades, ajuda muito, é claro. Mas só a estrada da vida - com a experiência concreta em gestões públicas e eleições - é que completa o novo líder. O político precisa, como se diz na gíria política, “comer um pouco de sal grosso”. E se comunicar com o povo, na linguagem do povo.
A estrada está aberta. Nos próximos quatro anos, haverá tempo (presume-se) para que os novos políticos conquistem cancha e espaço para a disputa em 2026. Neste momento, também como se diz na gíria política, “viraram todos japoneses”...
Renato Casagrande obteve uma vitória apertada: 53,8% dos votos válidos, mas com 40,09% dos votos totais. A alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções) foi da ordem de 25,36%. Portanto, a legitimidade eleitoral de Casagrande é inquestionável, mas a sua legitimidade política precisa ser reconfirmada ao longo do novo mandato. Ele já deu sinais públicos de que entendeu o recado das urnas. A fadiga de material.
Sinalizou que vai transformar a frente ampla eleitoral em aliança ampla para governar. Isto significa construir base política na Ales (Assembleia Legislativa). Ou seja, formar o governo contemplando a mediana político-eleitoral da nova composição da Ales. Crescimento do PL, do Republicanos, do Podemos, do PT e do PSOL, por exemplo. É outra Ales.
Trocando em miúdos, significa reduzir o peso do seu PSB na formação do governo. Caminhar, com a mediana político-eleitoral, para o centro do espectro político. Buscar alianças também com o centro liberal a democrático. Entendendo, porém, que o PT e o Psol cresceram. A política capixaba com diversos tons de cinza.
Este xadrez político na composição do governo deve representar, também, ajustes no estilo de governança de Casagrande. Ele já deu sinais de almejar descentralização de poder e ampliação dos diálogos setoriais do/no governo. Por exemplo, conversar mais com os médicos, professores e policiais e aferir a satisfação dos usuários dos respectivos serviços públicos. Mais diálogo com o setor produtivo. Mais diálogo na agricultura. E assim por diante.
A liderança da transição política também vai requerer de Casagrande tempo e disposição para a abertura de espaço para novas lideranças na formação do governo.
Por último, mas não menos importante, ele vai precisar liderar a transição estadual e pavimentar a sua projeção nacional para o pós-2026. Uma candidatura ao Senado da República?
Eleito presidente, Lula tem sinalizado regularmente que vai governar com a Federação, isto é, dialogando com os governadores e com os prefeitos. Durante o governo Bolsonaro, Casagrande conquistou protagonismo no Fórum de Governadores. Agora, poderá ter espaço político para reforçar este protagonismo. Ganhando estatura nacional. Isto é positivo para o Espírito Santo.