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Economia

Pensando fora da caixa: criadores do Plano Real sugerem nova política econômica

Pérsio Arida e André Lara Resende, coformuladores do Plano Real, contribuem para o debate nacional e precisam ser ouvidos pelos candidatos, com suas ideias incorporadas aos debates presidenciais

Publicado em 20 de Agosto de 2022 às 00:10

Públicado em 

20 ago 2022 às 00:10
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros

Crédito:
Cada qual à sua maneira, mas sempre pensando fora da caixa, Pérsio Arida e André Lara Resende, coformuladores do Plano Real, voltam a dar contribuições seminais para o debate nacional. Em busca de novo paradigma de política econômica.
Compreendendo a gravidade do momento histórico, ambos caminham pelas trilhas da economia política. Arida lançou, em co-autoria com cinco economistas importantes, um conjunto de propostas para o governo que vai assumir em 2023: “Contribuições para um Governo Democrático Progressista”.
Apontando a necessidade de reformas estruturais que busquem o apoio da sociedade, Pérsio defende a “primazia a argumentos da economia política em relação aos argumentos estritamente econômicos, o que é uma novidade. Um governo com ímpeto político sustentado apenas pelo carisma do governante, capaz de encaminhar com sucesso as reformas sem violar o teto de gastos, traria efeitos imediatos positivos sobre a inflação e o crescimento. E esses efeitos poderiam gerar um círculo virtuoso(...)".
Para ele, o caminho passa por programas especiais na área social, com revisão de gastos e cortes nas despesas obrigatórias. Com nova governança nas áreas orçamentária e fiscal. As propostas dele(s) estão na mesa. Na essência, sublinha Pérsio, “há que se pensar nos termos da economia política e não da economia ‘tout court’”.
Por sua vez, Lara Resende acaba de lançar um ensaio bem fundamentado com uma reflexão crítica da macroeconomia neoclássica. Polêmico, ele alerta para o caráter ideológico das narrativas econômicas hegemônicas: “Não se pode ter democracia sem reduzir a desigualdade, mas não se reduz a desigualdade amarrando as mãos do Estado na camisa de força ideológica da macroeconomia clássica” (em “Camisa de força ideológica - a crise da macroeconomia”).
Para André, na mesma trilha da economia política, é fundamental repensar a governança do Estado. “O (re)desenho das restrições institucionais ao seu poder financeiro, assim como da sua delegação ao sistema bancário, é elemento fundamental da boa política econômica”.
As crises recentes de 2008 (crise financeira) e de 2020 (pandemia) mostraram, para ele, que sem restrições institucionais o Estado tem capacidade ilimitada de dar crédito e de criar poder aquisitivo. Sem gerar efeitos inflacionários negativos. Desde que a política monetária (juros) seja coordenada com a política fiscal (orçamento). Com taxas de juros que não sejam fixadas acima da taxa de crescimento - garantindo relação virtuosa entre PIB e dívida pública.
Para André a restrição do poder estatal de dar crédito e poder aquisitivo beneficia o capitalismo financeiro, sobretudo a partir do último quartel do século XX, “quando os ativos e os passivos financeiros cresceram desproporcionalmente em relação à renda”.
As campanhas para presidente do Brasil começaram. Oxalá Persio Arida e André Lara Resende sejam ouvidos e que suas ideias sejam incorporadas aos debates presidenciais, em conexão com a sociedade. Mais de visão político-institucional de economia política, menos de visão da economia “tout court”.
Está em curso a formulação de um novo paradigma de política econômica. É preciso debater com a sociedade. Conquistar o apoio da sociedade. Para que o paradigma se torne realmente um paradigma. Com legitimidade para ser implementado pelo presidente a ser eleito nessas eleições - com apoio do Congresso Nacional.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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