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Eleições 2022

Campanha eleitoral é a hora de combinar com sua excelência, o eleitor

Encerrada a fase da política no plano dos acordos para a consolidação das candidaturas, agora é a fase da política nas ruas e nas mídias

Publicado em 13 de Agosto de 2022 às 00:30

Públicado em 

13 ago 2022 às 00:30
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros

Crédito:
No dia 16, terça-feira, começam para valer as campanhas eleitorais, com os programas de rádio e TV, as caminhadas nas ruas e a intensificação das presenças nas redes sociais. É a hora de buscar os votos e “combinar com o beque”, isto é, o eleitor. Encerrada a fase da política no plano dos acordos para a consolidação das candidaturas, agora é a fase da política nas ruas e nas mídias.
Aí, a vaca vai tossir. Os fantasmas da alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções) pairam sobre as eleições brasileiras há algum tempo. É a rejeição aos políticos e à política, fomentada recentemente pela campanha do presidente Jair Bolsonaro contra a confiabilidade das urnas eletrônicas.
No Espírito Santo, matéria de Natália Bourguignon, publicada aqui na Gazeta no último dia 6, registra o crescimento da apatia eleitoral desde 2006. Nas eleições para governador, a alienação chegou a 30% em 2018. A abstenção chegou a 24%.
Natália mostra que a taxa de comparecimento, de 76% no ES e 75% no Brasil, é maior que em países de voto facultativo - nos EUA, chegou a 66% em 2020, um recorde, ela registra.
De qualquer maneira, o fato é que a alienação mostra um distanciamento da política (e dos políticos) da sociedade, aqui e acolá. Outro sintoma disso é a chamada “amnésia eleitoral”.
Bianca Gomes, em matéria publicado em O Globo, mostra que no Brasil a amnésia é alta. Mais de 40% dos eleitores não lembravam mais em quem votaram em 2018 para deputado federal ou estadual menos de um mês após a eleição, segundo o Centro de Estudos e Opinião Pública (Cesop), da Unicamp.
“Em países próximos, como o Uruguai e o Chile, esse percentual não ultrapassa os 20%. E na Europa, nações como Alemanha, Portugal e Finlândia têm taxas ainda menores, que variam entre 1% e 2%”, registra Bianca.
O mesmo tem ocorrido em relação ao Senado. Em 2018, a amnésia era de 17,3% para lembrar da primeira escolha para o Senado, e de 26,3% para lembrar da segunda escolha (votos para duas vagas de senadores).
Outra vez, o desinteresse pela política (alienação e amnésia), a fragmentação partidária e o sistema eleitoral proporcional uninominal contribuem para o aumento desse fenômeno nefasto para a política. Fenômeno reforçado pela liquefação dos partidos políticos. Que se volta contra os próprios políticos, no final das contas. Será que isso vai, finalmente, motivar os políticos para a reforma do sistema eleitoral?
A incerteza sobre o comportamento da alienação e a recorrência da amnésia e da apatia eleitoral tornam as eleições deste ano também imprevisíveis até para os institutos de pesquisas. E desafiam os candidatos a buscar a atenção e a mobilização dos eleitores. Vão conseguir?
Altas taxas de alienação enfraquecem a legitimidade das eleições e dos candidatos eleitos.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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