No limiar do início das campanhas, o mercado político e os meios de comunicações já indagam sobre o caráter das eleições. Primeiro, se a polarização nacional vai-se espraiar pelas eleições regionais – já que serão todos contra
Renato Casagrande. Segundo, se teremos a interrupção, já em 2022, da transição política em curso no Estado, com a derrota do atual governador. Ou se essa transição continuará até 2026, com a sua reeleição.
A preocupação central, inferida de pesquisas qualitativas, é com a trajetória das políticas públicas de educação, segurança, saúde e desenvolvimento. É, também, com a natureza do pacto de poder que vai balizar essa trajetória. Tudo deságua na interrogação: para onde vai o
Espírito Santo e qual candidatura vai ser portadora da esperança no futuro, em conjuntura nacional com ambiente de desesperança e descrédito na política.
Nos últimos vinte anos, testemunhamos a construção de um ambiente de estabilidade política e de acúmulo de avanços nas políticas públicas, com linha de continuidade na gestão fiscal responsável. É uma engenharia implícita de Pacto de Desenvolvimento. Como já fizeram, por exemplo, o Ceará, a Bahia, Santa Catarina, São Paulo e Pernambuco.
No Espírito Santo, e este é o ponto crucial, esse pacto ainda é um processo em construção. Refiro-me ao processo de construção de uma agenda básica de consenso, sobre a qual todas as forças políticas e sociais podem estar de acordo. Funciona como se fosse um complexo, articulado, de forças políticas, econômicas, sociais e culturais – voltadas para o desenvolvimento do Estado. Trata-se de uma coalizão de poder e não apenas uma aliança de governo.
Ora, uma coalizão de poder precisa refletir e expressar a correlação de forças polìticamente dominantes. O que significa que ela precisa ir além das fronteiras do governo e dos partidos. Envolve as elites políticas, é claro. Mas precisa, aqui no Espírito Santo, ir mais além. Precisa agregar socialmente. Precisa envolver as elites econômicas. Precisa envolver os meios de comunicação e os hubs dos grafos das redes sociais. E precisa articular-se para fora dos limites estaduais.
O pacto vai progredir? Disso dependerão as entregas das políticas públicas. O desafio é consolidar um núcleo duro de políticas que tenham longevidade, eficácia, coerência e legitimidade. Consolidar na gestão pública capixaba a cultura do acúmulo de experiências e da visão das políticas como um processo evolutivo. Sem olhar pelo retrovisor. Aprimorar, atualizar e corrigir.
Nos últimos 30 anos, a gestão da economia se tornou uma Agenda de Estado no Espírito Santo. Continua resultando em mudanças no perfil econômico estadual. Com avanços mais recentes na direção da diversificação e da inovação. E com a busca de um modelo tripartite de atração de investimentos: capital regional, capital nacional e capital internacional.
Na educação, o ES avançou no desenho e implantação de uma política pública de Estado. Essa política está ganhando sustentabilidade. Na prática, é um pacto pela educação em mutação constante. Com índices em melhoria crescente.
Na segurança, o Espírito Santo também avançou para consolidar uma política de Estado. Os índices também têm experimentado melhorias graduais. Já na saúde, a pandemia teve uma gestão competente no governo Casagrande. Mas, no geral, ainda falta longevidade na política estadual de saúde. Ainda está em mutação o perfil da procura por saúde no ES. As doenças crônicas já representam a maior demanda há algum tempo. Isso está levando o foco da atenção à saúde para o nível primário.
Sobre as
eleições de 2022, vai pairar o fato de que estamos no limiar de novos tempos. Ou a interrupção da transição política, ou o caminho do fim da transição em 2026. Tempos de ampliação do contraditório. Tempos de afirmação de outro consenso. Como diria Maquiavel, estamos diante de nova Fortuna (circunstâncias) e nova Virtú (liderança). 2023 será um ano muito difícil no Brasil. E, claro, aqui também. Quem vai segurar a barra?