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Levantamento

Apatia eleitoral: cresce número de eleitores do ES que não querem votar

Proporção de capixabas que não compareceram às urnas ou votaram branco e nulo cresce desde 2006. Especialistas apontam crise democrática e descrédito das instituições políticas como motivos
Natalia Bourguignon

Publicado em 

06 ago 2022 às 19:49

Publicado em 06 de Agosto de 2022 às 19:49

Quantidade de eleitores do Espírito Santo que votam branco, nulo ou não aparecem diante das urnas cresce desde 2006
Quantidade de eleitores do Espírito Santo que votam branco, nulo ou não aparecem diante das urnas cresce desde 2006 Crédito: Geraldo Neto
A cada eleição, aumenta o desinteresse dos capixabas pelo voto. Levantamento feito por A Gazeta com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que a quantidade de eleitores do Espírito Santo que votam branco, nulo ou simplesmente não aparecem diante das urnas cresce a cada ano desde 2006.
Considerando a eleição para governador, essa proporção passou de 26% para quase 30% nesse período. Isso significa que, em 2018, três em cada dez pessoas aptas a votar no Estado optaram por não escolher ninguém.
É importante lembrar que, no Brasil, o comparecimento às urnas é obrigatório. Porém, em dez anos, a abstenção saiu de 14% para 24% no Espírito Santo. O movimento pode ser parcialmente explicado pela pandemia, já que as últimas eleições ocorreram em 2020, primeiro ano do coronavírus.
Porém especialistas acreditam que há outras causas para essa “apatia eleitoral”. Entre elas o descrédito nas instituições e até as facilidades criadas pelo TSE para a justificativa do voto, que pode agora ser feita por aplicativo no celular.
Ainda assim, a taxa de comparecimento, de 76% no Estado e de 75% no Brasil, é maior do que em países onde o voto é facultativo. Nos Estados Unidos, por exemplo, que bateu recorde de comparecimento em 2020, 66% dos eleitores registrados votaram. Com um detalhe: o registro para voto também não é obrigatório por lá.
O cientista político Rodrigo Prando aponta que, em vários países, a democracia atravessa uma crise. Ele avalia que democratas, partidos e instituições não estão preparados para ações coordenadas nas redes sociais, especialmente com a presença forte de fake news, teorias da conspiração e negacionismo.
"Até mesmo na Europa, com o Brexit; nos EUA, com Trump; e no Brasil, com Bolsonaro, esses elementos ganham uma força que antes não se tinha. Isso tem corroído a democracia, tem gerado um enorme desinteresse, especialmente nas camadas populares em relação à participação política”, diz.
O especialistas aponta ainda que muitos candidatos e partidos, por estarem desconectados da realidade atual, não conseguem cativar o eleitor e fazê-lo comparecer às urnas. Nesse cenário, acaba vencendo a disputa quem tem menos rejeição, e não aquele que apresenta as melhores propostas.
"Novamente teremos eleições em que a escolha será baseada no medo, no ódio e na rejeição. O que significa que uma parte muito grande do eleitorado, que não quer nenhum dos dois (Lula e Bolsonaro), não vai votar"
Rodrigo Prando - Cientista político
O cientista político e professor da Universidade Católica de Pernambuco Antônio Lucena concorda. Ele acrescenta que o aumento no número de pessoas que optam por não comparecer ou não dar um voto válido é um mau sinal para a democracia.
“Se a pessoa opta por ficar em casa é um sintoma do que ela não acredita na democracia, não acha que o voto vai promover mudança e prefere se abster de votar.”

APATIA NO VOTO PARA O LEGISLATIVO É MAIOR

A apatia eleitoral no Espírito Santo varia em relação ao cargo que está sendo disputado. Na escolha para deputado estadual, 22% dos eleitores não votaram em ninguém em 2002. Esse número subiu para 29% em 2018. A quantidade de pessoas que votaram nulo triplicou no período, já os votos em branco dobraram.
No caso dos senadores, há variação entre os anos em que duas vagas estão em disputa (como 2018 e 2010, por exemplo), e aqueles em que só há uma vaga a ser preenchida. No primeiro caso, a abstenção é maior, e chega a cerca de metade dos eleitores.
Quando só é preciso escolher apenas um senador, a taxa de apatia eleitoral é menor, mas ainda assim ultrapassou os 36% em 2014.
“É mais complicado para os deputados, porque o Legislativo não costuma ser muito importante para a população. Ele é importante para o pleito, porque forma base de governança, mas a população em geral presta muito mais atenção às eleições do Executivo (presidente, governador e prefeito) que do Legislativo”, afirma Lucena.
Prando ressalta também que a cultura política brasileira é personalista, ou seja, as pessoas associam o voto a uma pessoa específica e não a um projeto político, por exemplo.
“A gente memoriza e compra a ideia de votar num nome para prefeito, governador e presidente. Ao passo que o Legislativo perde espaço, porque a maioria das pessoas não quer acompanhar. Além de ser muito difícil ter exposição midiática para um deputado”, diz.

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