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Investigação

Rio Branco rompe contrato de patrocínio com empresa suspeita de lavagem de dinheiro

Polícia investiga relação da capixaba Blackbox com mercado ilegal de apostas e ligação com o funkeiro MC Ryan SP, suspeito de envolvimento com o PCC

Publicado em 10 de Junho de 2026 às 17:04

Redação de A Gazeta

Publicado em 

10 jun 2026 às 17:04

O contrato de patrocínio firmado entre o Rio Branco Atlético Clube e a empresa Blackbox, investigada pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, foi encerrado nesta quarta-feira (10), informou o time. 


A parceria anunciada em maio de 2025 previa investimentos no clube esportivo que poderiam chegar a R$ 4 milhões, até o fim de 2026. Esse é o maior valor de patrocínio destinado a um time de futebol do Espírito Santo. 


O rompimento contratual, divulgado pelo Rio Branco por meio de nota enviada à TV Gazeta (confira nota na íntegra), ocorre após a Blackbox ser apontada pela Polícia Federal como integrante da estrutura financeira investigada na Operação Narco Fluxo, deflagrada em abril deste ano. A ação resultou na prisão do funkeiro MC Ryan SP, suspeito de ter ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Segundo as investigações, a Blackbox firmou contratos com uma empresa ligada a MC Ryan SP para ações publicitárias nas redes sociais. Para a PF, no entanto, os documentos serviriam apenas para dar aparência de legalidade às operações para lavagem de dinheiro.


Os investigadores identificaram transferências de pelo menos R$ 1,3 milhão para contas pessoais do cantor entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025. A Blackbox negou as acusações à PF


Os proprietários da empresa capixaba foram identificados como Thadeu José Chagas Silveira e Renan Costa da Mata. A reportagem tentou contato com representantes da Blackbox nesta quarta (10), mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem.


Criada em 2021, a Blackbox se apresenta como uma consultoria especializada em educação financeira, apostas esportivas e marketing digital, mas, de acordo com a PF, estaria sendo utilizada também para atividades ligadas ao mercado ilegal de apostas e lavagem de dinheiro.

No Espírito Santo, a empresa ganhou espaço ao patrocinar clubes do futebol local. Além do Alvinegro, fechou contratos com o Vitória Futebol Clube, Desportiva Ferroviária e Serra Futebol Clube. 

O Rio Branco  disse que realizou análise jurídica e documental da empresa antes da assinatura do contrato e afirmou que não havia informações públicas que desabonassem a patrocinadora naquele momento. O clube informou que encerrou o vínculo com a Blackbox. Na nota, o time Capa-Preta afirma que não foi procurado pelas autoridades e não possui acesso aos autos das investigações em andamento. 

O Vitória afirmou que rescindiu o contrato após tomar conhecimento das investigações divulgadas pela imprensa.


Já a Desportiva Ferroviária informou que o patrocínio teve duração de três meses e já havia sido encerrado antes da divulgação do caso.


O Serra Futebol Clube disse que manteve contrato com a empresa apenas durante a disputa da Série B do Campeonato Capixaba de 2025 e que tomou conhecimento das investigações por meio da imprensa. 


Apostas ilegais

Reportagem publicada pelo Estado de São Paulo no último domingo (7) mostrou que a Blackbox era parceira de bets gigantes, como Betano, Estrelabet, Superbet, Zero Um e Upbet. 

A empresa se apresenta como um hub de casas de apostas e promete indicar em qual “bet” parceira deles o usuário consegue o maior cashback.

Mas a PF apura uma relação entre a Blackbox com casas de apostas ilegais, com transporte de valores e com envio de dinheiro ao exterior por meio de criptoativos. Segundo reportagem do Estadão, a investigação aponta que a empresa capixaba teria descumprido regras de publicidade das bets ao prometer ganhos financeiros, manipular jogos de azar e “criar robôs manipuladores de apostas”.

Ao jornal paulista, a Blackbox afirmou que os contratos com bets são totalmente regulares e que o negócio firmado com MC Ryan SP não tem ligação com esquema criminoso.


Nota na íntegra do Rio Branco Atlético Clube 

À época da formalização da parceria, não havia qualquer informação pública ou elemento formal que desabonasse a empresa mencionada, razão pela qual o contrato foi celebrado após a realização de due diligence jurídica e documental da empresa e de seus sócios, dentro das práticas usuais do mercado esportivo nacional. 


O Rio Branco possui postura criteriosa e cautelosa em todas as relações que envolvam parcerias, patrocínios ou investimentos ligados ao clube, tendo o procedimento interno de análise sido igualmente observado neste caso, sem que fossem identificados apontamentos públicos relevantes até aquele momento. 


O clube ressalta ainda que a BlackBox mantém ou manteve relações comerciais de patrocínio com  alguns dos clubes mais tradicionais do futebol capixaba, como Desportiva, Vitória e Serra, não se tratando, portanto, de uma atuação isolada junto ao Rio Branco. 


Até o presente momento, o Rio Branco não foi procurado por qualquer autoridade e não possui  acesso aos autos ou detalhes das investigações em andamento. O clube aguarda o esclarecimento  completo dos fatos pelos órgãos competentes. 


O Rio Branco reafirma seu compromisso com a legalidade, integridade e governança institucional, não compactuando com qualquer prática ilícita e permanecendo à disposição das autoridades para eventual colaboração que se faça necessária.


O Rio Branco também informa que o contrato de patrocínio com a Blackbox foi encerrado

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