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Eleições 2020

A fila do poder político andou no Espírito Santo

Urnas confirmaram a transição política no Estado, liderada pelo governador Renato Casagrande (PSB). Mas os eleitores também decidiram apostar na renovação

Públicado em 

05 dez 2020 às 05:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

Casagrande vota em Vitória
Renato Casagrande no dia da eleição: governo ganhou em número de cidades em que partidos da base foram eleitos Crédito: Rodrigo Araújo/Governo ES
As urnas confirmaram a transição política no Estado. Confirmaram, também, que o governador Renato Casagrande (PSB) é o líder desta transição política. Mas os eleitores também decidiram apostar na renovação. O resultado é que a fila do poder político estadual começou a andar.
O governo Casagrande ganhou em número de cidades em que partidos da base foram eleitos. Somando-se apenas cinco partidos considerados da base – PSB, PDT, Cidadania, PP e DEM –, o governo elegeu nada menos do que 37 prefeitos. Depois, o Republicanos foi o que mais cresceu, com10 prefeitos. Dada sua virtual aliança com o MDB (8 municípios) e com o PSDB (4 municípios) – ainda a ser futuramente confirmada – o Republicanos poderá ter liderança em 22 cidades. Mas o governo vai ter maior número de prefeitos aliados. Bom para a governabilidade.
Já do ponto de vista do poder eleitoral e político, os resultados têm outras nuances. A geopolítica do poder é outra. O PSB foi o quarto colocado em número de eleitores. Obteve 10,39% dos votos totais do estado nas 13 cidades em que venceu. Foi superado pelo PDT (15,86%); pelo Republicanos (14,8%); e pelo Podemos (12,9%). O quinto colocado foi o DEM (9,6%). Seguem-se PSDB (7,32%); MDB (6,64%); Cidadania (6,32%); e PSD (3,27%). Os dez maiores.
Temos fatos políticos óbvios. Primeiro, a força política do governador para a reeleição não se sustentará apenas com o predomínio do PSB no seu conjunto de alianças. Ainda mais porque as eleições deixaram fissuras na sua aliança com o Cidadania e com o PDT. Segundo, o governo perdeu em Vitória, a mais importante politicamente, e em Vila Velha. Pode ter diálogo? Pode. Mas isto não garante (ainda) força política para 2022. Terceiro, os ventos da fadiga de material sopraram também em outras disputas, como em Cariacica e na Serra. Estes ventos vão retornar em 2022.
A fila deve continuar andando até 2022. Já se vislumbra várias candidaturas ao governo em 2022, com uma disputa de segundo turno. No meio do caminho, tem uma pedra: as eleições para a mesa da Assembleia Legislativa em fevereiro de 2021. Haverá disputa entre a eventual candidatura do atual presidente, Erick Musso (Republicanos) e uma eventual candidatura “puro sangue” da base do governo?
Temos uma terceira força no xadrez estadual: o Republicanos, que aloja a novidade política representada pela ascensão de Lorenzo Pazolini, eleito na Capital. Ele é o símbolo do movimento tectônico da fila do poder, ao lado de Arnaldinho Borgo (Podemos). Este movimento teria levado o ex-governador Paulo Hartung a mirar uma nova candidatura ao Senado da República. O seu grupo político, e os seus admiradores nas lideranças empresariais, torcem por isto. É o tabuleiro político em movimento.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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