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Relação de pertinência

O Curso de Residência em Jornalismo e a teoria dos conjuntos

Num ano tão atípico, cheio de isolamentos e desencontros, perdas e abismos, sonhos desfeitos e interrogações, ver um projeto em comum encurtando distâncias, derrubando muros e construindo pontes não deixa de ser um alento

Publicado em 27 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

27 set 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Jornalismo
Programa de treinamento contribui com a qualificação de estudante e recém-formados Crédito: Divulgação
Aprendemos nas aulas de matemática que conjuntos são agrupamentos de objetos com características semelhantes. Um universo de elementos, subconjuntos, interseções, uniões e vazios que se completam ou se excluem, dependendo da operação. Aprendemos também que a relação básica entre um elemento e um conjunto é a relação de pertinência. Assim, um elemento pertence ao conjunto quando faz parte de sua composição.
Todos os anos, desde meados da década de 1990, um conjunto de estudantes e recém-formados que desejam atuar como jornalistas se forma em torno do Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. O programa de treinamento contribui com a qualificação de profissionais não apenas aqui em A Gazeta, mas por aí, pelo mercado.
Recentemente, mais uma turma começou o treinamento, a sétima que tenho a alegria de coordenar. Um grupo guiado pela diversidade, formado por 12 futuros profissionais de cores, crenças, idades, origens, orientação sexual, estado civil, modo de vestir, jeito de falar, presenças, faltas e interesses variados. Um universo de elementos, subconjuntos, interseções, uniões e vazios que se completam ou se excluem, dependendo da operação.
Numa das primeiras atividades do curso, eles foram desafiados a entrevistar um dos colegas e produzir um perfil, uma apresentação meio jornalística meio afetuosa do outro. Dois desconhecidos tentando desenvolver entre si e com o todo a relação básica que aprendemos com a Matemática e a Teoria dos Conjuntos criada por Georg Cantor e Richard Dedekind, lá em 1870 - a relação de pertinência.
O resultado foi bonito de ver. Admiração, surpresa, empatia, identificação, diferença. Proximidades, mesmo que a distância. Um universo de elementos, subconjuntos, interseções, uniões e vazios que se completam ou se excluem, dependendo da operação.
Num ano tão atípico, cheio de isolamentos e desencontros, perdas e abismos, sonhos desfeitos e interrogações, ver um projeto em comum encurtando distâncias, derrubando muros e construindo pontes não deixa de ser um alento.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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