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Crônica

Hey Jude, Caetano Veloso e os dias em que é preciso melhorar as coisas

Lançada pelos Beatles em 26 de agosto, a música "Hey Jude" soava como um sopro de esperança para Caetano Veloso, preso em dezembro do mesmo ano e ao longo de 54 dias, por ordem da ditadura militar

Públicado em 

20 set 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Caetano Veloso - 26° Prêmio da Música Brasileira 2015, no Theatro Municipal, no Centro do Rio de Janeiro/RJ. (10/06/15)
Em documentário, Caetano Veloso conta da relação de “Hey Jude” com o período em que ficou preso Crédito: Roberto Filho/Divulgação/Wikimedia Commons
Uma canção é também o uso que fazemos dela. É alegre se nos conforta, aconchegante se nos acolhe, apropriada se nos liberta. É conveniente se nos inspira, oportuna se nos aquece, eficiente se nos acalma, lucrativa se nos faz flutuar.
Paul McCartney escreveu “Hey Jude” em junho de 1968, para consolar uma criança de 5 anos entristecida pelo divórcio dos pais. Lançada pelos Beatles pouco depois, no dia 26 de agosto, a música soava como um sopro de esperança para Caetano Veloso, preso em dezembro do mesmo ano e ao longo de 54 dias, por ordem da ditadura militar.
O coro de vozes e o tom maior da melodia, que o artista baiano ouvia de longe no rádio de um dos guardas da prisão, funcionavam como um prenúncio de bom tempo, um teco de otimismo, um pequeno facho de luz no escuro da prisão. Por causa das voltas que o mundo dá, 52 anos depois, é a voz suave do próprio Caetano que canta “Hey Jude”, a canção que levava ao período de prisão a sensação de que dias melhores viriam.
“Me lembro nitidamente que era uma canção positiva”, Caetano conta, numa das cenas do recém-lançado documentário “Narciso em Férias”. O filme de Renato Terra e Ricardo Calil revive o período em que o cantor e compositor esteve preso e, numa das sequências, mostra como a canção dos Beatles simbolizou um respiro na temporada escura e fria da prisão. Quando “Hey Jude” tocava, Caetano conta, era sinal de que a situação ia melhorar: “Eu tomava aquilo como um anúncio de coisas boas. Me dava a impressão de libertação”.
Era o que Paul McCartney planejava quando compôs "Hey Jude", sem papel ou instrumentos musicais por perto, enquanto viajava de carro. “Ei, Jude, não fique mal. Pegue uma canção triste e torne-a melhor. Lembre-se de deixá-la entrar em seu coração, então você pode começar a melhorar as coisas”, sugere a letra.
Sir Paul McCartney queria enviar good vibes ao pequeno Julian, que virou Jude na canção. Conseguiu tocar não apenas o menino em seu imenso problema de criança, como também Caetano Veloso na prisão e de quebra muitos de nós, nos dias em que é preciso melhorar as coisas.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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