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Vida noturna

História da humanidade contada nas celebrações madrugada adentro

Para o escritor David Byrne, a vida noturna pode oferecer uma visão mais profunda de certos períodos históricos e políticos do que os registros oficiais

Públicado em 

17 mai 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

Colunista

Ana Laura Nahas

Um brinde: pessoas celebrando em festa
Um brinde: pessoas celebrando em festa Crédito: Rawpixel/Divulgação
Em uma passagem do livro "Diários de Bicicleta" (2009), David Byrne reflete sobre como seria se a História da humanidade fosse contada por meio da vida noturna. Um século depois do outro explicados não pelas guerras, acordos, derrotas, vitórias, recuos e transformações, mas pelo modo como se dão as manifestações e celebrações madrugada adentro.
O líder da banda Talking Heads é um entusiasta de boas causas, entre elas a música brasileira, a boemia e a sensação de liberdade que acompanha o hábito de pedalar.
Seu livro apresenta a visão de um sujeito que tem a bike como principal meio de transporte desde os anos 1980. Uma janela mágica que o deixa observar o funcionamento das coisas, o ritmo da vida, a arquitetura do mundo e geografia das cidades.
A tese é a seguinte: o que acontecia nos cabarés da República de Weimar, na década de 1920, prenunciava a Segunda Guerra, assim como o punk rock foi um reflexo sombrio da Era Reagan e seu explosivo duo conservadorismo-militarização. Da mesma forma, o fervo que se via nas icônicas casas noturnas Studio 54 e o CBGB refletia a profunda desilusão que se abateu sobre Nova York nos anos 1970, numa espécie de avesso da crise que quase levou a cidade a um colapso.
Para Byrne, a vida noturna pode oferecer uma visão mais profunda de certos períodos históricos e políticos do que os registros oficiais. A partir desta perspectiva, ele diz, pode ser que conseguíssemos entender o presente ou o futuro olhando para as pistas de dança, a cena cultural ou as mesas de bar.
Se Byrne tiver razão, e eu não duvido que tenha, as maneiras que temos encontrado coletivamente para lidar com o isolamento necessário ao combate do coronavírus servem como pequenas pistas para o cenário que se desenha para o mundo pós pandemia.
Vida noturna não há (são exigências do momento), mas um sentimento coletivo de cooperação e uma profunda nostalgia de quando podíamos antecipar golpes e revoluções, avanços e recuos, crises e revezes no tempo passado entre canções, conversas ao pé do ouvido, amigos, amores, desafetos e algumas doses de gim.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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