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É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Atualmente coordena o Curso de Residência em Jornalismo da Rede Gazeta. Escreve aos domingos

Carta aberta ao padre Kelder Brandão: a ele todo o meu respeito

O coronavírus atinge a todos, indiscriminadamente, mas as condições com que cada um enfrenta a doença são muito diferentes

Publicado em 19/04/2020 às 05h00
Atualizado em 19/04/2020 às 05h00
Padre Kelder Brandão
Padre Kelder Brandão. Crédito: João Paulo Rocetti

Tomo a liberdade de escrever esta carta aberta depois de ler seu artigo, alguns dias atrás, a respeito dos impactos do coronavírus na periferia do Espírito Santo. Não o conheço pessoalmente, apenas por meio das atividades públicas que o senhor desempenha e do que me conta uma amiga querida que temos em comum. Devo dizer que seu texto e o olhar que pude sentir a partir dele fortaleceram minha admiração e meu respeito.

Obrigada por compartilhar sua visão das coisas neste momento de tensão, medo do futuro e melancolia, mas também de solidariedade, empatia e esperança em dias melhores.

É preciso falar insistentemente sobre a dureza da vida dos mais pobres. É preciso jogar luzes incansáveis sobre a violência e a forma como ela dizima jovens pretos e pobres. É preciso abrir os olhos de todos sobre o quanto isto também diz respeito a nós que somos privilegiados pela cor da pele, pelo endereço da casa, pelo simples fato de termos esgoto, comida, oportunidades e possibilidades.

Minha missão por aqui geralmente é escrever sobre a importância da diversidade nas organizações e o modo como o racismo, o machismo e todos os outros tipos de preconceito emperram a nossa evolução como comunidade, como sociedade e como humanidade.

Ultimamente, diante do cenário que nos foi posto por um vírus invisível e devastador, minhas reflexões passaram a incluir, também, a pandemia e seus efeitos emocionais, sociais e econômicos.

Como o senhor bem escreveu, o coronavírus atinge a todos, indiscriminadamente, mas as condições com que cada um enfrenta a doença são muito diferentes. Afinal, não dá pra dizer que os pacientes do Albert Einstein navegam no mesmo barco daqueles que não têm dinheiro para o sabão e o pão, para usar a expressão que o senhor sabiamente anotou.

Espero que esta carta aberta o encontre bem de saúde e ainda disposto a batalhar pelos mais fracos. Sua força e generosidade são essenciais em tempos de paz; o que dizer, então, do quanto são importantes em tempos de guerra?

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