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Sociedade

Interrupção da fala da mulher é falta de educação temperada com machismo

Manterrupting é quando a situação ocorre num debate, em reuniões de trabalho, na mesa de bar, no ambiente acadêmico ou em conversas entre amigos, tentando desqualificar sua posição

Publicado em 05 de Abril de 2020 às 05:00

Públicado em 

05 abr 2020 às 05:00
Ana Laura Nahas

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Ana Laura Nahas

Gabriela Prioli, ex-comentarista da CNN
Gabriela Prioli, ex-comentarista da CNN Crédito: Reprodução
Há um movimento curioso no isolamento forçado pela escalada mundial do coronavírus. Como a maioria das conversas têm sido mediadas pela tecnologia, encontramos atrás da tela do celular, do computador ou do tablet o disfarce perfeito para este mal moderno, onipresente e onisciente, que é a nossa imensa dificuldade de ouvir o outro.
A saída da comentarista Gabriela Prioli do programa Grande Debate, da CNN brasileira, apenas 15 dias depois da estreia, evidenciou o quanto a falta de educação ainda impera no tête-à-tête. Falta de educação, no caso, temperada com generosa pitada de machismo.
Mestre em direito penal pela Universidade de São Paulo e professora na pós-graduação da Universidade Mackenzie, Prioli ascendeu como flecha no recém-inaugurado canal de notícias. Mas, apesar das credenciais de respeito e da ótima desenvoltura diante das câmeras, a comentarista esbarrou no péssimo hábito dos parceiros de bancada de interromper suas falas, tantas vezes e de modo tão agressivo que ela preferiu pedir para sair.
A prática tem nome: manterrupting. Colagem das palavras homem + interrupção em inglês, a expressão é usada quando um homem interrompe uma mulher, num debate, em reuniões de trabalho, na mesa de bar, no ambiente acadêmico ou em conversas entre amigos, tentando desqualificar sua posição sem deixá-la nem mesmo completar o raciocínio.
Seu primo próximo é o mansplaining, quando um homem explica coisas óbvias para uma mulher, como se ela não fosse intelectualmente capaz de entender sem a ajuda masculina.
O termo foi popularizado pela escritora norte-americana Rebecca Solnit em “Os Homens Explicam Tudo para Mim”, livro em que ela conta o caso do homem que tentou explicar PARA ELA o trabalho que ELA MESMA havia escrito. Parece piada, né? Não é.

Ana Laura Nahas

É jornalista e escritora, com passagens pelos jornais A Gazeta e Folha de São Paulo e pelas revistas Bravo! e Vida Simples. Autora dos livros Todo Sentimento e Quase um Segundo, escreve aos domingos sobre assuntos ligados à diversidade, comunicação e cultura

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