Começos em geral são uma pequena arte. Um diálogo com quem a gente deseja conhecer um pouco mais, o primeiro período de determinados livros, um ano novinho em folha, como este, que acaba de chegar.
[Feliz 2021 para nós!]
Chegadas também têm seu encanto, anotar na agenda tarefas que antes não havia, mudar de casa, de emprego, de estado civil, cravar, enfim, o primeiro passo, pela primeira ou pela enésima vez, em direção a algo que se espera mais ameno ou mais desafiador.
Ao contrário das partidas, quando o que se apresenta é a ausência, movimentos iniciais em direção a outro ponto nos dão a oportunidade de investir em capacidades que antes não experimentávamos.
Vez ou outra, eles nos permitem também voltar com passos mais ou menos firmes ao ponto em que nos perdemos de nós mesmos.
Depois de um ano turvo como 2020, os ventos que sopram com os primeiros dias de janeiro são de fé na mudança e de disposição para recolocar as coisas na perspectiva da generosidade com o mundo, com os outros e com nós mesmos.
Afinal, 2020 foi um ano de perdas enormes e distâncias difíceis de administrar.
Para mim, para muitos de vocês, para alguns dos meus queridos, para a nau desgovernada em que o Brasil se transformou e até para os otimistas, o clima pesou.
Felizmente, começos e recomeços nos permitem lembrar exatamente do que precisamos em tempos assim: organizar a casa, estar com os afetos mais fundos, fazer planos, recuperar a capacidade de sonhar, trilhar uma vez mais o caminho do essencial, rever o elo entre nós e nós mesmos.
É hora de escrever um novo ano. Qualquer caminho, por duro que seja, costuma apresentar obstáculos menores quando se tem eficiência nos primeiros passos, harmonia nas ações iniciais, equilíbrio nos movimentos de estreia, planejamento sereno e o peito aberto, tomado de esperanças.