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É engenheiro de produção, cronista e colhereiro. Neste espaço, sempre às sextas-feiras, crônicas sobre a cidade e a vida em família têm destaque, assim como um olhar sobre os acontecimentos do país

Sobre uma quarta-feira de superlua e algumas superstições

Eu mesmo nunca tinha ouvido falar em superlua até bem pouco tempo, embora tenha tido várias vezes a impressão de que ela estava bem maior do que de costume

Publicado em 28/05/2021 às 02h00
Superlua de sangue no Espírito Santo
Superlua vista no Espírito Santo na última quarta-feira (26). Crédito: Fernando Madeira

Escrevo na última quarta-feira de maio, data muito significativa para os apaixonados e os que se guiam pelos astros. É que hoje acontece uma conjunção astral muito excepcional: uma tal superlua, com direito a um eclipse lunar total.

Como nem tudo é perfeito, segundo a meteorologia o céu estará encoberto nestas nossas bandas do hemisfério sul, e para completar, segundo a astronomia, o eclipse completo somente poderá ser visto no extremo sudoeste do país.

Pra quem não sabe, a chamada superlua acontece em função da Lua estar passando pelo ponto mais próximo da Terra, o que faz com que apareça maior e mais brilhante do que as demais luas cheias. O eclipse, por sua vez, acontece pelo fato do nosso planeta impedir que os raios de sol possam atingir e se refletir na superfície que nós vemos daqui.

Eu mesmo nunca tinha ouvido falar em superlua até bem pouco tempo, embora tenha tido várias vezes a impressão de que ela estava bem maior do que de costume. Como pescador insistente que fui, as movimentações da Lua sempre estiveram sob minhas atenções. É que delas dependem os horários das marés e as flutuações de nível do mar ao longo de cada ciclo.

Por superstições e razões técnicas que desconheço, aprendi que os peixes comem com mais voracidade nos dias de Lua no quarto crescente, sobretudo quando as marés estão subindo. Nos dias de Lua minguante e maré morta, as iscas voltam intactas, indicando que os peixes passam longe delas, fazendo pouco caso da nossa oferta traiçoeira.

Tem quem acredite que tempo de Lua cheia também é tempo de nascimento de crianças, mas, ao conferir na internet, constatei que os partos de nenhum dos nossos cinco filhos confirmam a crença. Apesar do alarme da noite passada, a ultrassonografia feita no começo da manhã indica que Yara, filha de Nélio, vai estrear daqui uns bons dias, trazida à luz por Diana, nossa caçula.

Ela vai chegar sob ótimas emoções e encontrar tudo muito organizado, imaginado, preparado, testado, construído, montado, lixado, pregado, amarrado, pintado, retocado, costurado, cerzido, pendurado, lavado, esfregado, instalado, arrumado, empilhado e alisado pelo pessoal de casa, além de muitos pacotes de fraldas trazidos por amigos e parentes dos pais.

Além de primogênita, ela é a primeira “filha de filha” de Carol, o que me faz pensar que corro o risco de perder espaço na agenda dessa superavó de oito.

Contrariando as previsões meteorológicas, o tempo melhorou. Aproveitei para ir ver, com a minha companheira de sempre, a Lua nascer enorme e vermelha, por cima dos navios fundeados na barra.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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