Vacinados, eu e Carol aguardamos a imunização reforçada para circular pra mais longe e conviver de perto com nossos queridos. A gravidez da caçula, agora na lista dos grupos prioritários da vacinação, e a chegada do primogênito pra matar saudades de mais de ano, somam alegrias. O texto de muitas páginas, escrito durante a pandemia, sobre o que gosto de fazer com bambu, já foi enviado para o crivo de amigos corajosos.
As notícias do mundo vegetal são ótimas: a goiabeira, carregada fora de época, mostra que é tão doidinha quanto a jabuticabeira, que produz sem parar; os cajás das redondezas proporcionam jarras de suco e paredinhas pra cachaça; e o abacateiro da vizinhança garante delícias variadas.
Enquanto isso, o Planalto treme com tramas, fatos e desdobramentos em ritmo frenético, alguns preocupantes e outros risíveis. CPI instalada e fora de controle do Executivo garante holofotes a senador com disposição para fazer sangrar muita gente.
Aliados dos potenciais sangráveis acionam a Corte Suprema na tentativa de destituir da relatoria o elemento perigoso, assinando requerimento redigido na Presidência. Fazem média e perdem tempo.
Senador filho de capitão reclama da ingratidão do presidente da Casa e faz muita gente gargalhar, ao argumentar cinicamente sobre os perigos de aglomerações durante as reuniões da Comissão. Deve estar de castigo.
Gente graúda do Palácio está preocupada com os brios e a sinceridade do general ex-ministro, diante de senadores curiosos dos seus segredos e, sobretudo, irritados com o que venha a dizer na Comissão. Este já está na história por bater continências sistemáticas.
Ministro generalizado e jeitoso confessa diante de câmeras indiscretas que tomou vacina escondido do capitão. Com isso, ganha lugar na história por demonstrar que hierarquia também tem limites. Tomei, tá tomado; quem não quiser, paciência.
Ministra zoiuda faz andar a denúncia-crime de ex-superintendente federal contra ministro preferido pelo chefe por proteger madeireiros fora da lei. Plenário unido transforma em réu deputado fortão por ameaça e incitação, estabelecendo sentença exemplar.
Ministro que deverá ser substituído por alguém terrivelmente evangélico obriga o governo a realizar o Censo 2021, cancelado para atender gulodices de aliados de ocasião.
Ministro não faz economia de bobagens ideológicas sobre origem de vírus e qualidade de vacinas chinesas, em ambiente restrito, mas recua quando a gravação vai a público. Entrará para a história como nervosinho que foi desidratado no posto.
Embaixador aperta ainda mais os olhinhos, mostra os dentes e desembainha espada mortal ao ver a tal gravação. Fez crer que componentes e vacinas podem virar pó se o desgoverno não tomar tenência. Isso, com o país inteiro aguardando desesperadamente pelo que vem da China.