ASSINE
É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

O colapso começa com o esgotamento da gente

Não há cumprimento do isolamento social, não há medidas restritivas de circulação eficientes. Superamos o número de mortos em um dia no Brasil, mais de 1500

Publicado em 01/03/2021 às 02h02
Pessoas usando máscara durante a pademia
O colapso que muito se fala do sistema de saúde é, muito antes de um colapso de falta de leitos na UTI, ou balões de oxigênio, um colapso de gente. Crédito: prostooleh/Freepik

A pandemia no Brasil segue sem controle. Já temos variantes do vírus, muitos estados já enfrentam dificuldades estruturais, em termos de leitos e equipamentos. A cobertura vacinal ainda está longe de acontecer, estamos lidando em passos de formiga com um vírus que comemora um ano de infecção no país.

Não há cumprimento do isolamento social, não há medidas restritivas de circulação eficientes. Superamos o número de mortos em um dia no Brasil, mais de 1500. Foi um dia extremamente letal, não há o que comemorar. O colapso que muito se fala do sistema de saúde é, muito antes de um colapso de falta de leitos na UTI, ou balões de oxigênio, um colapso de gente.

Não menciono aqui aqueles pacientes que ficam desassistidos, somente. Trago toda a dor das equipes de saúde que há um ano trabalham sem descanso, que experimentam diariamente a frustração de não poder fazer mais do que estão fazendo, e já é tanto!

Peço licença para o uso da ironia, mas o profissional de saúde que atua na linha de frente já está fazendo jejum intermitente forçadamente, ficam muitas vezes durante o plantão inteiro sem comer, já nem sentem fome mais. O colapso começa quando você vê um profissional de saúde que já nem quer mais se desparamentar ou que já carrega as marcas dos equipamentos de proteção, tamanha a dedicação e exaustão. As definições de burnout na área da saúde foram atualizadas.

E o grito sobre o esgotamento de gente deve ser mais alto, assim quem sabe humanizamos a coisa e tocamos aqueles que ainda acham que é uma “gripezinha”. Aquela sensação de afastamento da doença se foi e todos conhecem pelo menos uma pessoa relativamente próxima que não se salvou do vírus.

O que podemos fazer, minimamente, para evitar o colapso de gente? Se você conhece algum trabalhador de saúde que se encontra em atividade na linha de frente, saiba que este possivelmente estará exausto demais para qualquer coisa além do que já faz no trabalho. Que tal perguntar se gostaria daquelas comidinhas congeladas saudáveis? Você pode facilitar em muito garantindo praticidade e mais tempo de descanso, lembre-se de manter o distanciamento para práticas como esta e outras tantas.

E se você quiser contribuir diminuindo a lotação nos hospitais, a melhor sugestão que cabe para tal, é praticar o isolamento físico, continuar usando máscaras quando for inevitável sair, manter a higienização dos itens que vierem de fora e, por fim, minha maior sugestão: não divulgue nem espalhe informações falsas pelas redes sociais. Vamos cuidar de gente?

opinião

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.