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É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

Dor lombar: entenda o mal-estar e saiba como evitar a crise

A lombalgia é algo multifatorial e tendo muitos fatores que podem causar ou manifestar a dor, nem sempre conseguimos especificar uma causa única

Publicado em 07/06/2021 às 02h00
Dor na lombar, colchão não confortável
Dor na lombar, colchão não confortável. Crédito: Anna Bizon/Freepik

A dor na região lombar é caracterizada por desconforto que se estende das últimas costelas até a região da linha glútea superior e também é chamada de lombalgia. Trata-se de um sintoma que é bastante prevalente e quem sofre com esta queixa sempre acaba sendo bombardeado de informações que podem ter efeitos danosos e atrapalhar o processo de melhora. A este evento adverso, que tem origem no latim e como significado “prejudicarei”, damos o nome de Nocebo.

O Nocebo pode vir dos profissionais da saúde que recebem o indivíduo e alegam que a dor lombar que ele apresenta está relacionada à postura “ruim”, fraqueza de abdome ou encurtamento muscular, que a origem da dor vem do disco degenerado, da protusão discal. Essas informações vão se perpetuando até que criam crenças nos pacientes de que a ressonância magnética mostra todos os danos e causas da dor, de que a coluna é de uma pessoa de 90 anos ou que a dor é da manifestação da hérnia de disco.

O que ocorre na realidade é que a lombalgia é algo multifatorial e tendo muitos fatores que podem causar ou manifestar a dor, nem sempre conseguimos especificar uma causa única. Para casos assim, é possível classificar a dor na região lombar como específica ou inespecífica.

Lombalgias específicas compreendem cerca de 5-10% dos casos e compreendem as hérnias de disco, radiculopatias (sintomas de irritação de raiz nervosa que podem gerar dormência, formigamento e fraqueza e dor), estenoses (estreitamento do canal que pode gerar compressão de medula ou raízes nervosas) e alteração de Modic 1 (degeneração com edema no platô vertebral).

HÉRNIAS DE DISCO

As famosas hérnias de disco ocorrem em raros casos, costumam ser super diagnosticadas e nem sempre estão gerando dor ao paciente. É muito importante que a avaliação clínica seja correlacionada com o exame de imagem, pois muitas vezes pessoas que não têm dor apresentam achados nos exames e pessoas com dor podem não ter achados que representam a dor.

Dentro de um ano, os achados de imagem em ressonância tendem a desaparecer (entre 0 a 41%), a diminuir (entre 15 a 93%). As hérnias sequestradas tendem a se resolver (entre 0 a 63%), a reduzir em tamanho (entre 57 a 100%). Cerca de 90% das compressões de nervo reduzem em um ano. Dizer “tenho uma hérnia há 15 anos e eventualmente ela ataca” pode ser uma grande crença alimentada por um nocebo dito anos atrás.

Ainda dentro da classificação das lombalgias temos a maior fatia dos casos, os inespecíficos, que compreendem cerca de 90% das dores lombares. Com grande frequência, é confundida com lombalgia específica e despende grandes gastos e excessos de tratamentos. Não apresenta causa específica e costuma possuir fatores mecânicos, cognitivos, emocionais e sociais. É aquela dor que nem sempre é localizada, piora com estresse, só acontece no trabalho, é desproporcional quando relacionada a algum movimento. São pequenos exemplos do dia a dia que mostram que não necessariamente a dor vem somente de um tecido lesionado.

O QUE FAZER PARA EVITAR?

Os tratamentos devem respeitar as dimensões do acometimento e suas causas multifatoriais. Manter o movimento fluido, evitar repouso absoluto, não ter medo de se movimentar, cuidar da saúde mental, evitar sedentarismo, ter boas escolhas alimentares e hábitos de sono são chaves para a manutenção da saúde em geral e também do segmento da coluna lombar. Escolher uma boa equipe de saúde que faça uma boa acolhida com informações seguras e solicitações de exames somente quando necessário complementam as boas recomendações para casos de dor lombar.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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