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É Fisioterapeuta, acupunturista e especialista em avaliação e tratamento de dor crônica pela USP. Entende a saúde como um estado de equilíbrio para lidar com as adversidades da vida de forma mais harmônica

As emoções e o adoecimento segundo a medicina tradicional chinesa

Ela aborda um conjunto central de emoções e suas ligações com o corpo com diversas manifestações. Estas emoções fundamentais são a raiva, tristeza, alegria, preocupação e medo

Publicado em 19/07/2021 às 02h00
Dor de cabeça
Muitas vezes quando permanecemos em uma ocorrência que desperta raiva, com frequência experimentamos dores de cabeça. Crédito: Freepik

Muito se fala sobre saúde mental na atualidade e esta compreende as reações que temos diante dos desafios e mudanças exigidas pela vida. Em se tratando de saúde mental temos a forma de encarar com harmonia as emoções, sejam elas tidas como boas ou ruins. Quando esta harmonia se encontra prejudicada, temos os chamados transtornos mentais.

A medicina tradicional chinesa é um conjunto sistemático de práticas que em sua base observa a natureza e seus fenômenos, visando à saúde, então dessa forma trabalha essencialmente na prevenção. Aborda um conjunto central de emoções e suas ligações com o corpo com diversas manifestações. Estas emoções fundamentais são a raiva, tristeza, alegria, preocupação e medo.

Sendo inerentes aos seres humanos, podemos dizer que estas emoções não são causadoras de doenças enquanto puras e episódicas. Entretanto, quando nos encontramos em uma situação em que essas emoções são prolongadas ou amplificadas, deixa de ser algo fisiológico e passa a ser um fator adoecedor.

Muitas vezes quando permanecemos em uma ocorrência que desperta raiva, com frequência experimentamos dores de cabeça, tensões nos ombros e musculatura mastigatória junto ou logo em seguida ao ocorrido. Acontece que se implodimos, nos machucamos; se explodimos, machucamos o outro; se recebemos, entendemos e deixamos ir, liberamos. Não é uma tarefa fácil, mas trabalhar a respiração profunda nesses momentos ajuda a mobilizar as energias, que no caso da raiva são ascendentes causando essas tensões antes mencionadas.

É dessa forma que apresentamos sintomas no corpo a partir de uma emoção arrebatadora. Emoções mantidas também tem um potencial adoecedor, como acontece na tristeza do luto que pode se arrastar trazendo sintomas de emagrecimento, indisposição e dores espalhadas pelo corpo. O aperto no peito se aloja quando a saudade aperta junto.

A alegria é uma emoção tida como boa e necessária, como todas as outras. No entanto, se acontece em forma de histeria ou euforia, acompanha risos em momentos em que não deveriam ocorrer, temos um quadro de desequilíbrio que pode ter sinais como palpitações, fala perdida, dificuldade em organizar a mente, insônia. Pela medicina chinesa o coração abriga a mente e ambos se conectam em alegria. Sintomas de ansiedade ocorrem nas desarmonias energéticas em questão.

Quando nos mantemos em preocupação constante, com pensamentos excessivos e ruminativos, tendemos a comportamentos obsessivos e estas emoções costumam vir acompanhadas de sinais como digestão difícil, cansaço, falta de concentração, dificuldade para induzir o sono. Estar preocupados exige um gasto de energia que deixa as outras funções corporais em segundo plano, gerando doenças orgânicas importantes.

Já o medo, que em situações normais nos ajuda a não conduzir atos impensados, em casos patológicos pode nos deixar paralisados e os sintomas associados podem ser dores nas costas e joelhos, falta de memória e muita insegurança associada a falta de força de vontade. Uma emoção que nos ajuda a ter sobrevivência pode nos deixar sem movimento para vivência em si.

Em cada um dos casos de emoções em excesso ou deficiência encontramos fatores adoecedores em potencial e a medicina tradicional chinesa busca em cada caso restaurar a harmonia para podermos lidar melhor com cada uma das intempéries da vida.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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