Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Coluna Abdo Filho

Royalties do petróleo: os bastidores do julgamento no STF

O Supremo Tribunal Federal marcou para o dia 6 de maio julgamento que pode redefinir os valores pagos pela exploração de petróleo. Em 2025, mais de R$ 2 bi entraram no Espírito Santo

Públicado em 

08 abr 2026 às 03:00
Abdo Filho

Colunista

Abdo Filho

Anna Nery
Navio-plataforma Anna Nery, da Petrobras, em operação na Bacia de Campos Crédito: Carlos Alberto Silva
A entrada do julgamento da partilha dos royalties do petróleo na agenda do Supremo Tribunal Federal, marcado para 6 de maio, fez ligar o alerta geral nos grandes estados produtores, que concentram mais de 90% da produção brasileira: Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Trata-se de um assunto que foi muito debatido no começo da década passada, durante os debates no Congresso Nacional e quando o tema foi parar no STF, mas a demora fez com que o assunto esfriasse. Agora, voltará com tudo.
O governo do Espírito Santo, embora não antecipe nada, já tem uma linha de defesa definida. O responsável direto pelo tema é o procurador chefe da Procuradoria do Petróleo, Mineração e outros Recursos Naturais (PPetro), Cláudio Madureira. Ele é, desde sempre, o responsável pelos interesses capixabas no tema. A PPetro, aliás, foi criada, em dezembro de 2011, justamente em meio aos debates no Congresso, que desaguaram na Lei 12.734, que mudou a repartição dos royalties e acabou sendo questionada no STF. Os detalhes finais da linha de argumentação serão amarrados por Madureira, pelo governador, Ricardo Ferraço (que era senador na época da aprovação da lei), e pelo procurador-geral do Estado, Iuri Madruga.
Várias nuances devem ser ponderadas nesta história toda. O Estado do Rio de Janeiro, que se arrasta há anos em meio a uma gravíssima crise econômica (isto é apenas uma constatação, sem entrar no mérito do problema), é responsável por 88% da produção brasileira de petróleo. No ano passado, apenas o governo estadual, sem contar os municípios, arrecadou R$ 26,29 bilhões com os chamados recursos do petróleo. A depender do que vier do STF, a situação degringola de vez. Não é do interesse de ninguém fazer isso. O fato de o Rio estar vivendo (mais uma) crise política, com o Supremo tendo que definir também como será eleito o próximo governador (no mandato tampão que irá até janeiro de 2027, quando o eleito nas eleições do final do ano assume), é mais um complicador.
Por isso, há uma corrente que acredita que a marcação do julgamento foi uma forma de pressão encontrada pelos ministros para que o processo de conciliação, que anda a passos de tartaruga no Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) do STF, ganhe velocidade e apresente alguma alternativa nas próximas semanas. O governo do Espírito Santo é um dos que trabalham em cima do tema e deve apresentar uma proposta nos próximos dias.
O debate é tão antigo - a liminar que mantém as regras atuais, da ministra Cármen Lúcia, é de 2013 - que deu tempo de surgir uma potencial nova fronteira para a indústria brasileira do petróleo, e isto pode fazer o jogo mudar. A Margem Equatorial, se cumprir o que promete, terá impacto enorme nas contas de estados do Norte e Nordeste. Em 2013, eles eram grandes defensores das mudanças que retiravam recursos dos produtores, agora, a coisa pode ter mudado.
O Espírito Santo, em 2025, respondeu por pouco mais de 5% da produção nacional. O governo do Estado arrecadou, no ano passado, R$ 1,43 bilhão com royalties e participações especiais. Os municípios ficaram com R$ 996,4 milhões, portanto, R$ 2,42 bilhões ao todo nos cofres capixabas. Presidente Kennedy (R$ 192,3 milhões), Marataízes (R$ 190,8 milhões), Itapemirim (R$ 170,3 milhões) e Linhares (R$ 95,4 milhões) seriam os grandes perdedores capixabas.  

Abdo Filho

Graduado em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2005, como estagiario de Entretenimento e Cursos & Concursos. Entre 2007 e 2015, foi reporter da CBN Vitoria e da editoria de Economia do jornal A Gazeta. Depois, assumiu o cargo de macroeditor de Politica, Economia e Brasil & Mundo, ja no processo de integracao de todas as redacoes da empresa. Em 2017, tornou-se Editor de Producao e, em 2019, Editor-executivo.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Turistas, eu sei o que vocês fizeram no verão passado
Castle Hill da Javé recebe novos moradores com evento sofisticado em Vargem Alta
Contrutora do ES recebe novos moradores de empreendimento de luxo em Vargem Alta
Imagem de destaque
Falta de defensores públicos gera gasto anual de R$ 14 milhões com advogados

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados