Sair
Assine
Entrar

Gíria capixaba

O capixaba está deixando de falar 'pocar'? O povo responde

Gíria regional do Espírito Santo perde lugar para as novidades de comunicação proporcionada pela internet

Publicado em 03 de Novembro de 2017 às 17:52

Redação de A Gazeta

Publicado em 

03 nov 2017 às 17:52
O pocar está caindo em desuso. E o que vamos fazer para proteger esse patrimônio capixaba? Não podemos deixar nossa gíria morrer. Crédito: Arte - Marcelo Franco e Arabson
No dicionário, pocar é estourar como pipoca, pipocar, bater com força. No Espírito Santo, o verbo começou a ser usado pela população, no início do século XX, no sentido de espocar, que significa fazer barulho. E, com o tempo, os capixabas criaram um novo sentido para a palavra: arrebentar. Virou a gíria queridinha do Espírito Santo. Patrimônio imaterial, falada incontáveis vezes durante o dia. Porém, com o passar do tempo, parece que os dias de glória estão chegando ao fim. O pocar está caindo em desuso.
Lacrou, pisa menos, ri alto, trollar, shippar. São muitas as gírias novas que surgiram, e o pocar foi perdendo o seu espaço. “O pocar ainda está sendo falado, mas praticamente reduzido a espocar (estourar). Antes era: “o cara pocou na prova”. Hoje, virou “lacrou na prova”, que é bem novinho”, explica o historiador Paulo Vilaça.
Ele diz que a função da gíria regional está sendo roubada pelas novidades na comunicação, proporcionada pela internet. Mas tranquiliza: o pocar não vai ser esquecido.
"O pocar vai permanecer com seu sentido de estourar alguma coisa. No que é mais amplo, no sentido figurado, ele está deixando de ter função. Está perdendo espaço para outras expressões”, afirma Vilaça.
Para tirar a dúvida, fomos às ruas conferir se as gírias antigas estão mesmo caindo no esquecimento, Veja o resultado no vídeo abaixo: 
DE ONDE VEM O POCAR?
“Eu Poco
 Tu Pocas
Ele Poca
Nós Pocamos
Vós Pocais
Eles Pocam”
O pocar é um gíria regional do Espírito Santo. Sua origem vem da palavra espocar, que significa fazer barulho. Segundo Paulo Vilaça, a gíria começou a ser usada, no início do século XX, quando a ilha de Vitória teve um crescimento na direção dos morros.
“Vitória tem muita pedra, e teve um profissão que agora praticamente não existe, chamada cavouqueiro, que era a pessoa encarregada de dinamitar pedras. Todo mundo precisava fazer isso. Então era uma coisa muito normal em 1910. Tiveram que pocar muitas pedras e contratar muitos cavouqueiros pela cidade. Foi a partir daí que o capixaba passou a falar e novos sentidos a palavra”, explica o historiador.
 

Este vídeo pode te interessar

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Motociclista morre em acidente em Iconha
Motociclista morre em acidente com van na BR 101 no Sul do ES
Igreja do Rosário no Centro é arrombada
Igreja do Rosário em Vitória é arrombada de novo e tem porta de 300 anos danificada
Imagem de destaque
Em ação com a Interpol, PF prende em Dubai hacker do caso Banco Master

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados