Publicado em 22 de setembro de 2022 às 13:39
O plenário do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) validou nesta quinta-feira (22), por unanimidade, a decisão do ministro Benedito Gonçalves que barrou o uso eleitoral do discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL) em Londres, proferido no último domingo (18). A decisão amplia o histórico de derrotas do mandatário em usar eventos oficiais para palanque de campanha.>
Durante a sessão, o ministro Benedito Gonçalves reafirmou seus argumentos para barrar o uso dos discursos em Londres. Em decisão, o ministro afirmou que Bolsonaro usou "motes eleitorais" e "performou típica atuação de candidato">
Os ministros acompanharam Gonçalves e referendaram a decisão, sem proferir votos próprios.>
O julgamento marca mais um episódio de derrotas de Bolsonaro no TSE envolvendo o uso eleitoral de eventos em que participou como chefe de Estado.>
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Na quarta-feira, o ministro Benedito Gonçalves proibiu a campanha bolsonarista de usar o discurso proferido pelo presidente na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) na última terça (20).>
Em fala de 20 minutos, o presidente usou o púlpito internacional para atacar o ex-presidente Lula (PT), exaltar o próprio governo e defender a chamada pauta de costumes, que é característica de sua campanha à reeleição.>
Também na quarta, o ministro afirmou que a campanha descumpriu decisão anterior do TSE e fez "uso ostensivo" de imagens dos atos de 7 de Setembro mesmo depois da proibição do tribunal. Benedito Gonçalves ordenou a retirada dos conteúdos do ar e disse que avaliará aplicar multa à campanha do presidente após ele se manifestar no processo.>
"Não estamos diante de um fato isolado, mas de um modus operandi evidenciado em uma sucessão de episódios. Há um contexto em que se tem identificado, até o momento, um esforço do candidato à reeleição em explorar em sua propaganda eleitoral situações propiciadas por sua condição de Chefe de Estado", afirmou Benedito Gonçalves, ao barrar o uso do discurso na ONU ontem.>
Na semana passada, o plenário validou por unanimidade a proibição dos vídeos dos desfiles do Bicentenário pela campanha de Bolsonaro. Na sexta (16), Benedito Gonçalves rejeitou um pedido do presidente para flexibilizar a liberação das imagens, afirmando que o veto engloba não apenas imagens registradas pela TV Brasil como também por terceiros e emissoras públicas.>
Juristas consultados pelo UOL avaliam que Bolsonaro pode ter cometido abuso de poder ao utilizar a estrutura dos desfiles do 7 de Setembro para fazer campanha política. Especialistas em direito eleitoral veem situação semelhante no discurso do presidente em Londres, para onde viajou para cumprir uma agenda de Chefe de Estado.>
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