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Coronavírus

Testes rápidos virão da China e serão para profissionais da saúde

O governo federal informou neste domingo (22) que os primeiros kits para testar o vírus serão importados e usados exclusivamente para diagnosticar a Covid-19 em trabalhadores da saúde

Publicado em 22 de Março de 2020 às 22:11

Redação de A Gazeta

Publicado em 

22 mar 2020 às 22:11
O público-alvo dos testes é profissional de saúde para não reduzir a força de trabalho durante a pandemia Crédito: Kasvi
O Ministério da Saúde afirmou neste domingo (22) que os primeiros testes rápidos para o novo coronavírus serão importados da China e usados exclusivamente para diagnosticar Covid-19 entre profissionais de saúde.
O teste será doado, segundo o ministro Luiz Henrique Mandetta, pela mineradora Vale. Os kits são produzidos pela empresa chinesa Wondfo e aprovados pela Comissão Europeia, segundo a pasta.
"Esse teste vai ser para profissionais de saúde de modo que a gente não perca essa força de trabalho", disse o secretário de Vigilância, Wanderson Oliveira.
No sábado (21), a pasta havia dito que seriam adquiridos 10 milhões de testes rápidos do tipo sorológico, que analisa a presença de anticorpos no sangue, para a distribuição nos Estados nas próximas semanas.
A informação era de que seriam utilizados prioritariamente em profissionais de saúde, e que seriam montados postos de testagem "drive -thru" para a população geral.
Neste domingo, porém, o ministério disse que são duas coisas diferentes e que o teste rápido chinês não será aplicado em postos volantes.
A apresentação da pasta aos jornalistas diz que a "única e exclusiva utilidade desse teste" será retirar do isolamento profissionais de saúde que estiverem entre o 8º e 10º dias de isolamento por suspeita de Covid-19. Esse tipo de teste é o que deve chegar ao país na próxima semana. O custo de cada kit é de R$ 75.
Para a população em geral, o ministério diz que trabalha para comprar máquinas automatizadas ou semiautomatizadas para então instalar os postos onde pessoas poderão ir a pé, de bicicleta ou veículos para serem testados.
Wanderson afirmou neste domingo que seguirá o modelo sul-coreano de testagem. "O teste é igual ao da Coreia, a pessoa vai passar a pé e vai receber o resultado por aplicativo no dia seguinte", disse. "Para isso funcionar, temos que adquirir aquelas máquinas e colocar escala de produção."
As máquinas citadas são do modelo Cobas 6000, produzido pela Roche, com valor estimado de R$ 2 milhões para compra, ou as semiautomatizadas, da família QuantStudio, da TermoFischer.
O tipo de teste que seria realizado nesse caso é o PCR, que já está sendo usado nos laboratórios brasileiros. Mais preciso do que o sorológico, que demora até dez dias após a contaminação para identificar a doença, esse tipo analisa a presença de material genético do vírus no trato respiratório.
O ministério, porém, não informou quando a aquisição das máquinas deve ser feita e se a instalação dos postos será de fato viável.
"Eu nunca gosto de anunciar nada que não tenha na minha mão. Eu espero que a gente consiga operacionalizar, se a gente tiver vai ser mais uma arma. E se a gente não tiver? Vamos continuar fazendo os nossos testes através da Fiocruz", disse o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.
Ele disse que estão sendo disponibilizados 2,3 milhões de testes do tipo PCR para os Estados. O anúncio desse número foi feito na quinta-feira (19) e tem capacidade para atender 1,1% da população.
No entanto, esses testes citados por Mandetta serão destinados aos casos em que há sintomas graves, segundo o próprio ministério. O modelo de testagem brasileiro vem sendo questionado desde que a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomendou exames em uma parcela ampla da população. O ministério rebate ao dizer que há escassez de testes no mundo e que é preciso priorizar casos graves.
A testagem ampla do coronavírus esbarra em mais um problema. A Abramed (Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica) pediu à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que acelere os trâmites de liberação de insumos para o diagnóstico de Covid-19.
Segundo nota enviada pela associação que reúne laboratórios médicos, a maior parte dos reagentes utilizados nos testes é importada e precisa passar por avaliação da agência antes de ser disponibilizada no Brasil. Ela pede que os insumos importados sejam qualificados como prioritários na hora de obter registro. Procurada, a Anvisa não se manifestou sobre o ofício.

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