Publicado em 25 de outubro de 2022 às 21:01
BRASÍLIA - Em audiência de custódia nesta segunda-feira (24), o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) voltou a ofender a ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia e acusar o ministro Alexandre de Moraes, da mesma corte, de fazer parte de uma milícia judicial.>
Jefferson foi preso no domingo (23), por determinação de Moraes. Ele reagiu à abordagem da Polícia Federal a tiros e lançou granada na direção dos policiais. Dois deles ficaram feridos, atingidos por estilhaços.>
A operação ocorreu um dia após o político de extrema direita xingar e comparar Cármen Lúcia a "prostitutas", "arrombadas" e "vagabundas" em um vídeo publicado por sua filha Cristiane Brasil (PTB) nas redes sociais.>
Na audiência de custódia, concedida ao juiz instrutor do gabinete de Moraes, Airton Vieira, o ex-deputado e aliado de Jair Bolsonaro (PL) voltou a ofender a ministra.>
>
Ele disse que em seu comentário criticava um voto de Cármen Lúcia no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em processo sobre a Jovem Pan e acrescentou: "Quero pedir desculpas às prostitutas pela má comparação, porque o papel dela foi muito pior, porque ela fez muito pior, com objetivos ideológicos, políticos. As outras fazem por necessidade", afirmou.>
Disse ainda que Moraes tem um problema pessoal com ele e com o PTB e o persegue há dois anos. Jefferson é alvo do inquérito das milícias digitais, no STF, que tem o ministro como relator.>
"Ele e o ministro (Edson) Fachin (têm problema com ele). Eles cortam parte do fundo partidário do PTB contra a lei, porque o partido se colocou contra o ativismo do STF, especialmente do ministro Alexandre de Moraes", diz Jefferson.>
"Ele diz que eu faço parte de uma milícia digital, mas eu acho que ele faz parte de uma milícia judicial no STF, por isso nós temos problemas. Ele mandou a Polícia Federal na minha casa quatro vezes, mas com que fundamento? Busca e apreensão? De quê? Busca e apreensão genérica. Eles vão lá procurar algo para tentar me incriminar.">
Na casa de Jefferson, porém, a PF apreendeu fuzis, mais de 7.000 munições e até armas de brinquedo.>
Jefferson está com o registro de CAC (caçador, atirador e colecionador) suspenso e não poderia transportar as armas que possui para o Rio de Janeiro.>
Na audiência de custódia, foi decidido que Jefferson permanecerá preso e que seria transferido para o presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, na zona oeste do Rio de Janeiro. É a mesma unidade em que ele ficou preso até janeiro, após ter obtido direito a prisão domiciliar.>
No depoimento, Jefferson voltou a dizer que disparou aproximadamente 50 tiros no carro da Polícia Federal e jogou uma granada perto dele. Afirmou que, depois, encontrou a agente que se feriu com os estilhaços da granada e deixou por escrito um pedido de desculpas à Polícia Federal.>
"Se Alexandre de Moraes fosse o chefe da diligência, a coisa seria diferente. Se ele tivesse coragem para me enfrentar. Deixou de ser a relação juiz e jurisdicionado", disse Jefferson.>
"Ele proibiu minha família e meus advogados de me visitarem. Ele quebrou o PTB e destruiu nossa obra. Ele junto com o TSE. Todo mês cortam o fundo partidário. Não é uma coisa de juiz jurisdicionado, virou de homem para homem", acrescentou.>
O ex-deputado ainda criticou a PGR (Procuradoria-Geral da República) e disse que achava que o órgão "tinha mais dignidade".>
"Estou sendo massacrado e agora ouço a pérola da PGR para me mandar para o hospital psiquiátrico. Tem gente no judiciário que precisa ir para o manicômio", afirmou.>
Nos autos, a PGR informa que está em tratativas com as autoridades judiciais e a Polícia Federal para o "encaminhamento do custodiado para hospital psiquiátrico".>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta