Publicado em 22 de novembro de 2024 às 21:20
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), envolveu-se nesta sexta-feira (22) numa discussão virtual com o senador Sergio Moro (União Brasil-PR), que saiu em defesa do juiz afastado Marcelo Bretas, parceiro na condução dos desdobramentos da Operação Lava Jato.>
Paes chamou os dois de delinquentes numa discussão iniciada por uma postagem de Bretas sobre o plano para matar o presidente Lula (PT), o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes.>
O bate-boca virtual no X teve como origem uma postagem de Bretas na quinta-feira (21), na qual o juiz afastado disserta sobre a tentativa de um crime e a desistência voluntária.>
O magistrado não faz referência direta à investigação sobre o plano de assassinato, mas afirma que a legislação "orienta que nenhum pensamento ou desejo humano pode ser considerado criminoso, a não ser que se manifeste e provoque uma conduta injusta que prejudique um bem jurídico".>
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A tese de ausência de infração também foi levantada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).>
Paes replicou a mensagem de Bretas com o texto: "Delinquente sendo deliquente". Moro respondeu ao prefeito: "Delinquentes eram os seus amigos que ele prendeu".>
O prefeito passou então a atacar os dois condutores da Lava Jato.>
"Vocês dois são o exemplo do que não deve ser o Judiciário. Destruíram a luta contra a corrupção graças à ambição política de ambos. Você [Moro] ainda conseguiu um emprego de ministro da Justiça e foi mais longe na política. Esse aí [Bretas] nem isso. Ele era desprezado pelo próprio [Jair] Bolsonaro que fez uso eleitoral das posições dele. E quem me disse isso foi o próprio ex-presidente. Recolha-se à sua insignificância. Aqui você não cresce! Lixo!">
Moro respondeu com uma foto de Paes ao lado do presidente Lula e o ex-governador Sérgio Cabral.>
"Errado, quem destruiu o combate à corrupção foram os amigos dos delinquentes, ou seja, sua própria turma da impunidade. Ofensa de baixo calão não muda os fatos e só mostra quem ou o que você é", escreveu o senador.>
À Folha, o prefeito ratificou o teor da postagem e acrescentou que o lugar reservado a Moro é o lixo da História. Segundo ele, o senador prestou um desserviço ao Brasil e ao Judiciário. Referindo-se a Bretas e Moro como dois personagens, Paes afirmou que eles desmoralizam o combate à corrupção no Brasil "pelo excesso de vaidade, pelo pouco conhecimento jurídico, pelo desrespeito às regras e pela ambição política".>
Segundo o prefeito, uma parte importante da falta de institucionalidade que se vive no Brasil, até acarretando tentativas frustradas de golpe, tem origem na atitude de Moro.>
"Moro é o verdadeiro responsável pela perda de força da instituição judiciário nos últimos anos do Brasil. Acho que ele é um lixo. O lugar dele é no lixo da história", disse o prefeito.>
Paes é um dos responsáveis pelo afastamento de Bretas da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, onde conduzia a Lava Jato fluminense.>
Ele acusou o magistrado no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de atuar de forma política em processos que tratavam sobre corrupção de agentes públicos durante seus dois primeiros mandatos à frente da prefeitura.>
A representação foi umas das três que levaram ao afastamento temporário de Bretas, em fevereiro de 2023. O CNJ ainda não concluiu as investigações.>
Juiz da Lava Jato, Moro abandonou a magistratura para assumir o Ministério da Justiça do governo Bolsonaro, com quem se desentendeu — isso motivou seu pedido de demissão em abril de 2020.>
Moro depois sofreu uma dura derrota no STF, que o considerou parcial nas ações em que atuou como juiz federal contra Lula. Com isso, foram anuladas ações dos casos tríplex, sítio de Atibaia e Instituto Lula.>
Diferentes pontos levantados pela defesa de Lula levaram à declaração de parcialidade de Moro, como condução coercitiva sem prévia intimação para oitiva, interceptações telefônicas do ex-presidente, familiares e advogados antes de adotadas outras medidas investigativas e divulgação de grampos.>
A posse de Moro como ministro de Bolsonaro também pesou, assim como os diálogos entre integrantes da Lava Jato obtidos pelo site The Intercept Brasil e publicados por outros veículos de imprensa, como a Folha, que expuseram a proximidade entre Moro e os procuradores da Lava Jato.>
Em resumo, no contato com os procuradores, Moro indicou testemunha que poderia colaborar para a apuração sobre Lula, orientou a inclusão de prova contra um réu em denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público Federal, sugeriu alterar a ordem de fases da operação Lava Jato e antecipou ao menos uma decisão judicial.>
Moro sempre repetiu que não reconhece a autenticidade das mensagens, mas que, se verdadeiras, não contêm ilegalidades.>
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