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Rio de Janeiro

Polícia mira vereadora em operação contra suposta fraude em verbas de creches no RJ

Os alvos são a vereadora Gigi Castilho (Republicanos), o marido e a filha, além de outros; a investigação apura a criação de empresas de fachada para justificar repasses municipais com notas fiscais superfaturadas

Publicado em 04 de Novembro de 2025 às 17:16

Agência FolhaPress

Publicado em 

04 nov 2025 às 17:16
Vereadora Gigi Castilho se tornou alvo da operação no Rio de Janeiro
Vereadora Gigi Castilho se tornou alvo da operação no Rio de Janeiro Crédito: Eduardo Barreto/Divulgação/Câmara Municipal do Rio
Polícia Civil do Rio realizou nesta terça-feira (4) uma operação contra um esquema que teria desviado verbas públicas destinadas a creches conveniadas na zona oeste da cidade. Entre os alvos estão a vereadora Gigi Castilho (Republicanos), o marido dela, Luciano Castilho, e a filha, Andreza dos Santos Adão. Segundo a Delegacia de Defraudações, a investigação apura a criação de empresas de fachada para justificar repasses municipais com notas fiscais superfaturadas. Os investigadores afirmam que familiares de Gigi administravam creches usadas no esquema, além de negócios como panificadora e fornecedoras de serviços que, de acordo com a apuração, não tinham atividade nos endereços informados.
Procurada, a vereadora disse não ter tido acesso ao inquérito e afirmou que sua atuação nas creches era pedagógica, sem participação na gestão financeira ou em contratações. Ela declarou confiar na investigação e disse que o caso será esclarecido pela defesa.
Em seis meses, uma das creches conveniadas recebeu aproximadamente R$ 9 milhões, segundo relatório financeiro da Polícia Civil. No período, foram feitos 816 saques em espécie, somando cerca de R$ 1,5 milhão. Segundo os investigadores, a movimentação é considerada incompatível com o funcionamento regular de uma instituição educacional conveniada. A polícia afirma que as notas fiscais eram apresentadas à secretaria municipal responsável como comprovantes de despesas, apesar de produtos e serviços não terem sido entregues. Os valores teriam sido retirados em dinheiro vivo por pessoas ligadas às unidades e às empresas laranjas.
Ao todo, sete creches estão na mira da investigação, entre elas a Creche Comunitária Deus é Fiel, em Sepetiba, a Creche Comunitária Arte e Cultura, em Santa Cruz, e a Creche Escola Machado, em Realengo. As unidades são associações sem fins lucrativos que recebem verba pública para oferecer vagas a crianças da rede municipal. Gigi Castilho afirmou ter atuado na Creche Comunitária Deus é Fiel como diretora pedagógica até março deste ano, sem participação na gestão financeira. "Não sendo responsável por contratações de prestadores de serviço e prestações de contas e ou pagamentos, tendo sempre atuado na área de gerenciamento pedagógico da instituição", disse a vereadora. Procurada, a Prefeitura do Rio não respondeu à reportagem até o fechamento deste texto.
Os agentes cumpriram 29 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça em endereços ligados aos investigados, incluindo duas unidades educacionais citadas nas investigações. Durante a operação, policiais estiveram na casa da vereadora e do marido, que não foram encontrados. Segundo a delegada responsável, o portão do imóvel estava aberto no momento da chegada das equipes, e endereços associados às empresas investigadas não apresentavam qualquer atividade comercial. A operação tem como foco a apreensão de documentos, celulares, computadores e material contábil. As investigações seguem para identificar todos os beneficiários e possíveis servidores públicos envolvidos.
Gigi Castilho, 50, cumpre seu primeiro mandato na Câmara Municipal do Rio, eleita em 2024 pelo Republicanos com base na zona oeste. Pedagoga e ex-diretora de creche comunitária, ela construiu atuação em projetos sociais e na educação infantil antes de entrar na política.

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