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No Paraná

PF mira estudante de medicina que vendia canetas emagrecedoras ilegais

A corporação informou que a suspeita estuda medicina em uma universidade no Paraguai, mas não revelou a identidade dela; mulher fazia a divulgação e venda dos remédios pela internet e redes sociais
Agência FolhaPress

Publicado em 

05 fev 2026 às 17:29

Publicado em 05 de Fevereiro de 2026 às 17:29

Canetas emagrecedoras apreendidas pela Polícia Federal
Canetas emagrecedoras apreendidas pela Polícia Federal Crédito: Polícia Federal
Uma estudante de medicina é investigada pela PF (Polícia Federal) por suspeita de vender canetas emagrecedoras ilegais pela internet. Um mandado de busca e apreensão contra ela foi cumprido nesta quinta-feira (5) em Almirante Tamandaré (PR). Ao UOL, a corporação informou que a suspeita estuda medicina em uma universidade no Paraguai, mas não revelou a identidade dela.
A mulher fazia a divulgação e venda dos remédios pela internet e redes sociais. De acordo com a investigação, ela comercializava os medicamentos de uso controlado sem prescrição médica e sem autorização do órgão sanitário competente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A denúncia contra a estudante foi feita de forma anônima. Em endereço ligado a ela, agentes apreenderam ao menos 14 caixas de Tirzepatida 15 mg/0,5 ml, comercializada popularmente como Mounjaro.
A PF considerou a conduta dela de "elevada gravidade" por expor risco à saúde pública. "É de conhecimento público que medicamentos originalmente indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 vêm sendo utilizados de forma indiscriminada para fins estéticos e para emagrecimento rápido, muitas vezes sem acompanhamento médico e à margem da legislação sanitária, circunstância que potencializa os riscos à saúde dos consumidores", alertou a polícia.

O "boom" das canetas emagrecedoras

As chamadas canetas emagrecedoras atuam no cérebro ao estimular o receptor GLP-1. O efeito ocorre especialmente no hipotálamo, área responsável pelo controle da fome, reduzindo o apetite. Esses medicamentos foram desenvolvidos originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2. Posteriormente, passaram a ser indicados para pessoas com excesso de peso associado a riscos à saúde.
No Brasil, a Anvisa estabeleceu, em abril de 2025, uma regra que exige a retenção da receita médica, com validade de até 90 dias, para a venda de medicamentos agonistas de GLP-1, como o Ozempic. A medida busca evitar o uso indiscriminado e estético e garantir acompanhamento médico, já que esses fármacos interferem em hormônios, metabolismo e glicemia. Além do custo elevado, o uso sem acompanhamento pode agravar o problema do ganho de peso. A forma como essas injeções atuam no cérebro ajuda a explicar por que a recuperação tende a ser mais intensa após a interrupção.
Em entrevista à BBC, Adam Collins, especialista em nutrição da Universidade de Surrey, explicou que a exposição prolongada a níveis artificiais elevados de GLP-1 pode afetar a resposta natural do organismo. "Fornecer níveis de GLP-1 muito acima do normal por um longo período pode levar o corpo a produzir menos do hormônio por conta própria e a se tornar menos sensível aos seus efeitos", disse.
Com a suspensão do medicamento, o apetite deixa de ser controlado e o risco de comer em excesso aumenta. Isso acontece especialmente quando o uso das canetas não é acompanhado por mudanças na alimentação, prática de exercícios e uma rotina que favoreça a manutenção do peso.

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