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Guedes diz que investimento em offshores é legal e nega especulação com dólar

"A offshore é como uma ferramenta. É uma faca. Você pode usar para o mal, para matar alguém, ou pode usar para o bem, para descascar uma laranja", disse Paulo Guedes

Publicado em 23/11/2021 às 15h48
O ministro Paulo Guedes
O ministro da Economia Paulo Guedes. Crédito: Washington Costa/ASCOM/ME

O ministro da EconomiaPaulo Guedes, disse nesta terça-feira (23), que o seu investimento em offshores é legal e que a ideia de que ele possa ter especulado com o valor do dólar para aumentar o patrimônio não existe. Ele participa no período da manhã desta terça de audiência para prestar esclarecimentos sobre os investimentos no exterior às comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados.

Em outubro, uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) revelou a existência de uma offshore em nome do ministro.

Segundo Guedes, a criação de uma offshore se deveu a razões sucessórias, para que seus investimentos no exterior pudessem ser transmitidos a herdeiros em caso de alguma fatalidade, para evitar que o governo dos Estados Unidos "expropriasse" de 46% a 47% do valor. Por isso, argumentou, não seria necessário declarar se sua esposa ou filha estavam na offshore, que seria uma "obviedade".

"A offshore é como uma ferramenta. É uma faca. Você pode usar para o mal, para matar alguém, ou pode usar para o bem, para descascar uma laranja", disse Guedes, que alegou ainda não ter investimentos em nenhuma ação brasileira fora do país.

O ministro afirmou ainda que os seus depósitos em offshore foram feitos entre 2014 e 2015 e que, depois, nunca fez nenhum novo depósito ou remessa de recursos para o Brasil.

De acordo com Guedes, os investimentos foram devidamente declarados à Receita Federal e ao Banco Central. Ele também argumentou que, se desejasse especular com o valor do dólar, não teria defendido o projeto de independência da autoridade monetária.

Na audiência, Guedes disse ainda que precisou se desfazer de todos os seus investimentos em empresas sob a sua administração direta antes de assumir o Ministério da Economia, em um processo que teria lhe custado mais do que o valor investido em offshore.

O ministro ainda afirmou que colocou em um 'blind trust' seus investimentos em ativos que pudessem sofrer um impacto indireto da sua gestão à frente da pasta.

ORIGEM

Guedes disse também que seu patrimônio foi obtido por meio da criação de empresas como Insper, BTG Pactual e Abril Educação, além de MBAs executivos. "Eu fiz muitos investimentos e criei muitas oportunidades empresariais para muita gente", comentou.

Na audiência, Guedes argumentou que teve oportunidades de participar do governo antes e que não ingressou no Executivo por oportunismo.

"Se eu fosse alguém que quisesse ganhar dinheiro vindo no governo para usar informações privilegiadas, para promover meus próprios interesses, eu teria vindo muito antes", disse Guedes.

Guedes afirmou que havia sido convidado a participar do governo na década de 1980 pelo então ministro da Fazenda Francisco Dornelles, para compor a diretoria do Banco Central. "Eu não vim aqui pelo oportunismo, ao contrário", disse.

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