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Governo Lula terá MP para reajustar piso dos professores acima da inflação

Governo Lula terá MP para reajustar piso dos professores acima da inflação

Texto do MEC deve chegar ao Palácio do Planalto nesta quinta (8) e ato deve ser publicado na próxima semana

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 18:59

BRASÍLIA - O governo Lula (PT) vai editar nos próximos dias uma Medida Provisória (MP) para garantir um reajuste do piso salarial dos professores de 2026 acima da inflação.

O ministro da Educação, Camilo Santana, conversou com o presidente na tarde desta quinta-feira (8) para ajustar os detalhes. O MEC (Ministério da Educação) deve enviar ainda nesta quinta (8) o texto para o Palácio do Planalto. A publicação da medida deve ocorrer na próxima semana, de acordo com informações confirmadas com a Folha.

Prédio do Ministério da Educação (MEC), em Brasília
Prédio do Ministério da Educação (MEC), em Brasília Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Pela regra atual, com variação vinculada à variação do Fundeb (principal mecanismo de financiamento da educação), o reajuste dos professores neste ano seria de 0,38%, bem abaixo da inflação de 2025, estimada em torno de 4%.

O tema tem causado pressão da categoria e negociações acirradas com municípios e, principalmente, com estados, que tentam evitar a obrigação de aumentos mais amplos.

O ministro disse à Folha que o reajuste não será de 0,37%. "Nenhum professor pode ganhar menos que a variação da inflação, e estamos trabalhando para um reajuste real para o professor", disse.

O piso dos professores hoje é de R$ 4.867,77, para uma jornada de 40 horas semanais. O reajuste seria de apenas R$ 18 caso a regra atual fosse aplicada.

A medida provisória passa a valer assim que editada e tem no máximo 120 dias para ser apreciada no parlamento. Assim, o governo indica às redes de ensino a garantia de ganho real neste ano e deixa para o Congresso a definição de novas regras para os anos seguintes.

Se o governo decidisse por um projeto de lei, como foi aventado, o trâmite normal impediria um aumento neste ano.

A equipe técnica da pasta MEC trabalha nos cálculos e na definição de qual será o reajuste.

Os cerca de dois milhões de docentes da educação básica pública estão ligados a estados e prefeituras, que arcam com seus salários. O atendimento ao piso tem sido um desafio para os cofres de municípios e estados.

"A gente precisa solucionar o problema de 2026. A solução é através de medida provisória", disse à reportagm o deputado Rafael Brito, presidente da Frente Parlamentar Mista da Educação. "O ideal seria chegar a um consenso [com estados, municípios e a categoria] para que no Congresso a gente lute para defender e aprimorar".

O deputado avalia ainda que a maior parte das redes já iria garantir ao menos o reajuste pela inflação para todos os servidores públicos, incluindo professores.

Nota da Frente Parlamentar diz que "não é aceitável que uma categoria estratégica para o futuro do Brasil seja submetida a um reajuste tão reduzido, incapaz sequer de recompor as perdas inflacionárias".

A Lei do Piso passou a valer em 2009 e prevê reajuste automático pela variação do Fundeb como forma de valorizar a categoria. Como o valor de referência do fundo varia conforme a atividade econômica, o reajuste do piso também seguiu essa tendência.

No ano passado, a alta foi de 6,27%, mas houve, por exemplo, aumento de 33,24% em 2022 – o governo Jair Bolsonaro (PL) chegou a decidir que não iria seguir o aumento naquele ano, mas depois recuou.

Desde 2020, quando o fundo foi renovado e turbinado com mais recursos federais, há consenso de que a legislação do piso docente precisaria também de alteração. Mas isso não foi feito.

"O problema é não ter resolvido isso até agora. Desde setembro de 2023 temos alertado sobre isso e poderia ter encaminhado. Ficou protelando e chega nessa situação, bem complicada", diz o presidente da CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Heleno Araújo.

A entidade tem lutado para garantir reajuste pelo INPC, mais 50% da média das receitas do Fundeb nos últimos cinco anos. O que daria 6,25%.

De acordo com Araújo, as negociações travaram sobretudo porque os governos estaduais têm resistido.

O Consed (órgão que reúne os secretários estaduais de Educação) divulgou nota nesta quinta-feira (8) em que diz que o percentual aplicado segue exatamente o que estabelece a legislação vigente e lembra que nos últimos anos houve aumentos expressivos.

Nem todas as redes de ensino públicas atendem o piso e o salário varia pelo país. Além disso, não é comum que professores consigam 40 horas semanas de carga horária.

"O Consed destaca ainda que, no ano passado, apresentou ao Comitê Nacional de Secretários Estaduais da Fazenda (Comsefaz) e ao Ministério da Educação (MEC) uma proposta construída a partir de estudos técnicos e avaliações fiscais, que prevê a reposição inflacionária acrescida de um ganho real, compatível com a capacidade financeira dos estados", diz nota.

"A iniciativa reafirma o compromisso do Conselho com a valorização do magistério, aliada à responsabilidade fiscal e previsibilidade orçamentária".

O PNE (Plano Nacional de Educação) traçou como meta, até 2024, equiparar os ganhos dos professores a outros profissionais com ensino superior.

Em 2024, os docentes recebiam, na média, 86% dos ganhos dos demais profissionais com a mesma escolaridade -esse percentual era de 65% em 2012, segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).

A Lei do Piso não prevê que o governo federal faça alguma publicação oficial sobre o reajuste, mas há uma tradição de o MEC indicar para as redes qual o percentual a ser seguido -essa publicação costuma ocorrer no fim de janeiro.

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