Publicado em 12 de julho de 2022 às 17:14
O Congresso aprovou nesta terça-feira (12) o texto-base do projeto de lei que estabelece as diretrizes para a elaboração do orçamento de 2023 sem a obrigatoriedade do pagamento das emendas de relator, conhecido como orçamento secreto. >
A votação da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) foi concluída após um acordo de líderes que permitiu que a proposta fosse o primeiro item da pauta, desde que a impositividade fosse retirada e uma sessão para apreciar os vetos fosse marcada para quinta-feira (14).>
A proposta foi aprovada com o voto favorável de 324 deputados federais, contra 110 contrários. PT, Novo, PC do B, PSB, PSOL e Rede orientaram votação contra o texto. No Senado, foram 46 favoráveis e 23 contra.>
Uma das bancadas que se posicionou contra a aprovação foi justamente o Podemos, partido do relator Marcos do Val (Podemos-ES). O PT também se posicionou contra.>
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A sessão havia sido suspensa na segunda-feira, após pressão do centrão contra a decisão do relator, senador Marcos Do Val (Podemos-ES), de suprimir o dispositivo que previa a obrigatoriedade de execução das programações incluídas ou acrescidas por emendas de relator.>
O trecho havia sido incluído por Do Val durante a tramitação da proposta na CMO (Comissão Mista do Orçamento) e foi aprovado em 29 de junho pelo colegiado. No entanto, o próprio relator decidiu retirar a obrigatoriedade, após pressão e articulação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).>
A supressão desagradou a partidos de centro, que buscaram reverter a medida até momentos antes da votação. Com a resistência, no entanto, desistiram de resgatar o dispositivo.>
Alguns parlamentares, como o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR), chegaram a apontar que a impositividade não havia sido totalmente retirada do projeto, uma vez que outro trecho prevê que o governo faça uma "reserva" para o pagamento das emendas de relator.>
No entanto, a visão geral dos parlamentares é que esse dispositivo não significa a obrigatoriedade do pagamento e sim que haverá disponibilidade de recursos.>
O acordo foi anunciado pelo líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (PL-TO), no início da sessão. Segundo ele, houve o entendimento de que a legislação sobre emenda de relator ainda carece de uma regulamentação e de discussão mais aprofundada na CMO e nas comissões da Câmara e do Senado.>
O artigo tinha sido formulado diante do cenário de favoritismo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida presidencial.>
Lula é crítico das emendas de relator, que sustentam as negociações políticas no governo do presidente Jair Bolsonaro (PL).>
Os cálculos preliminares indicam que, no próximo ano, esses recursos devem somar cerca de R$ 19 bilhões no Orçamento. Esse valor, no entanto, só deve ser definido no projeto de Orçamento, a ser discutido no segundo semestre.>
As emendas parlamentares são usadas por deputados e senadores para destinar dinheiro do Orçamento federal para obras e projetos em suas bases políticas.>
As emendas de relator não são, hoje, consideradas impositivas. Essa característica, que transforma o uso dos recursos em uma exigência, é aplicada atualmente às emendas individuais e de bancada.>
A LDO aprovada nesta terça estipula o valor de R$ 1.294 para o salário mínimo em 2023, o que significa apenas correção pela inflação, sem ganho real.>
O texto também prevê meta de déficit primário para os orçamentos fiscal e da seguridade social de R$ 65,9 bilhões.>
O projeto também protege de contingenciamentos e remanejamentos financeiros algumas despesas, como com educação, ciência e tecnologia, demarcação de terras indígenas, projetos executados pelas Forças Armadas, defesa agropecuária, entre outros.>
O relator da proposta, ligado ao setor de segurança pública, incluiu em seu texto a previsão de reestruturação da carreira e recomposição salarial das carreiras da polícia federal, polícia rodoviária federal, polícia penitenciária, além da polícia civil e militar e do corpo de bombeiros do DF.>
Além disso, autorizou o provimento de cargos e funções relativos aos concursos vigentes destas carreiras, até os limites orçamentários e quantitativo que estarão previstos no orçamento.>
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