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É psicóloga, advogada e idealizadora do Projeto Ressignificando (@ressignificando_projeto)

Término por telefone ou mensagem: você sabe o que é responsabilidade afetiva?

Acreditamos que casais maduros, que vivem relacionamentos saudáveis, possuem conflitos, mas estejam dispostos a se encontrar e terem uma conversa assertiva que resolva a questão, mesmo que a resolução seja o término

Publicado em 31/12/2021 às 13h28
O influenciador Felipe Neto
O influenciador Felipe Neto teria terminado relacionamento por telefone. Crédito: Reprodução Youtube

Nestes últimos dias, os internautas tiveram mais uma pauta para debater. O youtuber Felipe Neto teria terminado com sua namorada de cerca de quatro anos por telefone! A influencer Bruna Gomes escreveu nas suas redes sociais que foi surpreendida, assim como os internautas, com o término e com a forma com a qual ele se deu.

A pauta que aparentava ser exclusivamente de um tabloide de fofocas ensejou um debate relevante sobre um tema muito atual: responsabilidade afetiva.

Mas o que seria isso? Somos seres sociais e por isso estamos sempre nos relacionando com as pessoas. Todas as vezes que nos relacionamos, afetamos e somos afetados nessa relação, que pode ser amorosa, de amizade, familiar, de trabalho ou passageira.

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A responsabilidade afetiva ou emocional seria a responsabilidade que possuímos sobre a forma como nos comportamos e por consequência afetamos o outro.

Essa responsabilidade é constituída pelo sentimento de empatia, que muitos simplificam como o “colocar-se no lugar do outro”. O sentimento ou comportamento empático é aprendido no decorrer de nossas vidas, lembre-se daquela pergunta clássica da infância “você gostaria que ele fizesse o mesmo com você?”.

Contudo, a empatia vem sendo deixada de lado para que nossos desejos efêmeros ganhem espaço e possamos nos satisfazer doa a quem doer.

Em uma pequena enquete em minhas redes sociais pessoas que tiveram seus relacionamentos terminados por mensagens descrevem terem se sentido “descartáveis”, “lixo”, “sem importância”, entre outras considerações degradantes, mas a que mais impactou foi “líquido”, fazendo referência à modernidade líquida de Bauman.

O teórico deixa claro que nesta modernidade nada nos prende e que tudo, assim como a água, esvai-se pelas mãos e por tal motivo passamos a não nos apegar e a não nos comprometer com algo duradouro.

Acreditamos que casais maduros, que vivem relacionamentos saudáveis, possuem conflitos, mas estejam dispostos a se encontrar e terem uma conversa assertiva que resolva a questão, mesmo que a resolução seja o término (afinal, ninguém é obrigado a amar ninguém!).

O problema é que a maioria da sociedade aderiu à liquidez baumaniana, e tal maturidade tornou-se cada vez mais rara.

Assim, terminamos por mensagem, bloqueamos das redes sociais, não atendemos ligações e simplesmente “fingimos” que aquela relação não aconteceu, se já não nos satisfazemos mais com ela. E não importa como a outra pessoa, que por vezes nem sabe as motivações dessas ações, vá se sentir, pois o que importa é a satisfação do nosso desejo.

Todavia, um outro ponto surge nos debates e precisa ser aqui colocado. Às vezes o término por mensagens é na verdade uma estratégia de defesa e não de imaturidade. Em relacionamentos abusivos ou violentos, por exemplo, ficar cara a cara com aquele que abusa pode ser bem perigoso.

As mensagens podem evitar uma violência psicológica ou moral onde a pessoa que não aceite o término manipule a outra para que ele não ocorra. “Ele me disse que se mataria se eu terminasse com ele. Acabei não tendo coragem”, foi uma das frases que eu já ouvi no consultório.

Ou no pior cenário podemos ter a perda de uma vida.

O fato é: o fim sempre dói. Quando as pessoas iniciam seus relacionamentos elas acreditam que aquilo vai dar certo. Portanto, quando ele acaba, as expectativas que se construíram antes e durante pelas partes se esvaem e isso é frustrante para os que estão envolvidos.

Compreender isso é importante! Pois nos faz entender que não só nós sofremos, mas o outro também, e a dor do outro é tão importante quanto a nossa.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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