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É pneumologista e especialista em Medicina do Sono e Vice-presidente da Associação Brasileira do Sono – Regional ES

Temperaturas em alta, saúde em risco: como calor afeta o sono

As noites quentes dificultam o início e a manutenção do sono. Muitas pessoas relatam que suam demais, acordam várias vezes durante a noite e têm a sensação de não descansar o suficiente

  • Jessica Polese É pneumologista e especialista em Medicina do Sono e Vice-presidente da Associação Brasileira do Sono – Regional ES
Publicado em 08/02/2026 às 10h00

Nos últimos meses, as altas temperaturas e as mudanças bruscas no clima têm afetado o mundo. No Brasil, por aqui, já vivemos dias com termômetros se aproximando dos 36°C e com sensação térmica passando dos 43ºC. Esse cenário é preocupante.

De acordo com as previsões climáticas, o restante do verão no Sudeste deve ser marcado por temperaturas acima da média e chuvas irregulares, com possibilidade de ondas de calor mais intensas. Na prática, isso significa que o nosso organismo precisa se adaptar o tempo todo a variações ambientais, e nem sempre consegue fazer isso sem sofrer impactos.

Percebo um aumento claro das queixas respiratórias e também dos distúrbios do sono nesse período. As mudanças bruscas de temperatura alteram as características das secreções das vias aéreas, deixando-as mais espessas e difíceis de eliminar. Nessa época, é comum observar aumento de casos de gripes, resfriados, sinusites, inflamações de garganta, bronquiolites e até pneumonias.

Além disso, o calor excessivo contribui para a piora da qualidade do ar, com maior concentração de poluentes e partículas suspensas, principalmente em áreas urbanas. Esses poluentes irritam as vias aéreas, agravam quadros de asma e bronquite crônica e aumentam a vulnerabilidade a doenças pulmonares.

Em dias muito quentes, perdemos mais líquidos por meio do suor e, se não houver reposição adequada, o organismo sofre como um todo. A hidratação é essencial para manter as vias respiratórias úmidas e funcionando bem. Além disso, podem surgir sintomas como dor de cabeça, tontura, náuseas, cansaço excessivo e queda da disposição.

O sistema cardiovascular também sente os efeitos do calor intenso. O esforço extra para regular a temperatura corporal pode sobrecarregar o coração, especialmente em pessoas que já têm doenças crônicas.

Os distúrbios respiratórios do sono podem acarretar doenças mais graves (Imagem: Ground Picture | Shutterstock)
Sono e calor. Crédito: Imagem: Ground Picture | Shutterstock

O sono é outro aspecto bastante afetado. As noites quentes dificultam o início e a manutenção do sono. Muitas pessoas relatam que suam demais, acordam várias vezes durante a noite e têm a sensação de não descansar o suficiente, até porque não são todas as pessoas que têm acesso a ventiladores e/ou aparelhos de ar condicionado. A privação de sono impacta o humor, a concentração, a imunidade e a saúde como um todo.

Diante desse cenário de temperaturas elevadas e variações climáticas intensas, reforço sempre a importância de medidas simples, mas eficazes: beber água ao longo do dia, evitar exposição prolongada ao sol e a ambientes muito poluídos, manter os ambientes ventilados e levemente umidificados, e cuidar da alimentação para preservar a imunidade.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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