O Espírito Santo fechou mais de 6,8 mil vagas de empregos, tendo o pior desempenho para o mês de maio desde os idos de 2004. É uma notícia alarmante e traumática, mas bastante esperada pelos economistas.
A observação da cena política e econômica dos últimos, pelo menos em 20 anos, já indicava que o país vinha sofrendo um processo de desindustrialização muito forte, pois adotamos um famoso plano "A" que era o de fornecer commodities para o mundo afora enquanto a demanda global estava em alta, e, concomitantemente, nos tornamos desleixados com a indústria nacional e o processo de modernização da mesma, portanto, não criamos um plano "B".
Aliado a esta dura realidade da desindustrialização, em 2016 jogamos R$ 12 milhões na lata do desemprego em consequência do rescaldo da crise de 2008 e de anos de equivocada política econômica.
E, por fim, não poderíamos deixar de mencionar a grande vilã da economia em 2020, que é a pandemia que se originou na China e que tem posto em xeque o próprio modo de produção capitalista e seus fundamentos. Portanto, se as próprias escolas clássicas de economia (Keynesianos e Liberais) não estão conseguindo dar resposta ao crônico problema do desemprego, sobremodo, porque a crise pandêmica é dura e resiliente, é momento de voltarmos os olhos para o século XIX e revisitarmos o olhar crítico do velho Marx sobre o que ele denomina de "exército de reserva" de desempregados.
Obviamente que naquele momento histórico ele apontava como causador do desemprego em massa, o avanço do estado tecnológico. No dizer dele, a automação aumentaria o valor da mais valia para a burguesia e criaria um exército de reserva de desempregados.
Hoje, não muito distantes do século XIX, estamos caminhando para a formação de um "hiper exército de reserva" sem ter o que muito fazer para deter esta marcha.
Enfim, enquanto não vem logo a panaceia para a peste, o que se deverá fazer para não se agravar mais ainda a situação? Há algumas ferramentas enquanto a tormenta resiste em se desfazer. Por exemplo, o Estado brasileiro deverá lançar mão das reservas internacionais em prol dos desempregados ou aumentar a base monetária emitindo moeda primária ou emitir títulos públicos com taxas atrativas para cinco ou dez anos. Deste modo, abreviará o problema arremessando-o para as gerações futuras.
Marx, como crítico, deve urgentemente ser ressuscitado pela academia.
*O autor é conselheiro do Corecon-ES