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José Antonio Martinuzzo

Artigo de Opinião

É doutor em Comunicação, pós-doutor em Mídia e Cotidiano, professor na Ufes e membro da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória
José Antonio Martinuzzo

Orgulho LGBTQIA+: doença é a falta de empatia, nunca o amor

Na insidiosa guerra entre o obscurantismo e a civilidade, posicionar-se em favor da vida é tudo e visibilidade é crucial
José Antonio Martinuzzo
É doutor em Comunicação, pós-doutor em Mídia e Cotidiano, professor na Ufes e membro da Escola Lacaniana de Psicanálise de Vitória

Publicado em 28 de Junho de 2021 às 02:00

Publicado em 

28 jun 2021 às 02:00
Dia do Orgulho LGBTQIA+ é momento de reafirmar nossa capacidade de amar
Dia do Orgulho LGBTQIA+ é momento de reafirmar nossa capacidade de amar Crédito: Pikisuperstar/ Freepik
“Vaidade. Soberba.” Os dicionários reportam significados pouco lisonjeiros da palavra “orgulho”. Mas também cravam seus sentidos mais radiantes: “altivez, brio, satisfação”. Neste Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, é momento de reafirmar para si e para o outro a alegria da nossa humanidade, da nossa capacidade e disposição de amar – e orgulhar-se da vida.
A chegada à luz traz consigo a potência de nos tornarmos humanos, mas, infelizmente, no curso da vida, nem todos se humanizam plenamente, passando até mesmo a cultivar com zelo seus traços mais desumanos.
Para esses, orgulho significa, sim, vaidade de se achar melhor do que um semelhante na contingência da diversidade. E também soberba de, diante das múltiplas distinções do existir, inclusive as de identidade de gênero e de orientação sexual, se autorizar a agir, até criminosamente, segundo o mais animalesco que possa persistir num vivente.
Como a civilização tem a fragilidade de uma vida e, cada vez que nasce um, impõe-se a demanda de apresentá-lo aos marcos da humanidade e ao exercício do amor fraterno, este é também o tempo de comemorar iniciativas como a da Rede Gazeta, de celebrar o orgulho de ser LGBTQIA+.
Iniciativa que tem suas tintas realçadas num tempo de barbárie crescente, em que nuvens cinzentas teimam em descorar os matizes da vida. Na feroz e, por vezes, insidiosa guerra entre o obscurantismo e a civilidade, posicionar-se é tudo, visibilidade é crucial.
"Não é um vício, não é uma degradação, não pode ser classificada como uma doença", escreveu Freud, em 1935, a uma mãe estadunidense em busca de “cura” para o filho homossexual, noticiando-a de que não há tratamento para o que não é um mal. “A homossexualidade não é uma vantagem, mas também não é algo pelo qual deva se envergonhar. [...] É uma grande injustiça e uma crueldade perseguir a homossexualidade”, destacou.
Doença é o desamor, a falta de empatia. Para esse mal, doses de amorosidade têm alguma chance de eficácia. Mas a questão é que o tratamento depende do doente de desumanidade, que, no mais das vezes, padece de cegueira seletiva para o real sentido da vida.
Como o amor é a mais decisiva chance de redenção da espécie de animais que apenas nasce apta à humanidade, neste e em todos os dias, fica o convite: com altivez, brio e satisfação, ou seja, orgulhosamente, exerçamos ao máximo a nossa humanidade. Ame ao máximo. Ame sem distinção!
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