As cidades não crescem apenas para cima. Em muitos casos, crescem aprendendo a lidar com seus próprios limites. Em áreas onde a legislação impede edificações altas — como acontece em trechos da orla de Vitória, a exemplo da Curva da Jurema — o mercado imobiliário precisou se ajustar. E o que se vê, na prática, é que essa adaptação tem funcionado, e muito bem. Novos empreendimentos surgem, encontram compradores e passam a integrar o cenário urbano de forma harmoniosa e natural.
Quando a altura deixa de ser o principal recurso, o projeto assume outras responsabilidades. O edifício passa a dialogar mais diretamente com o entorno, com a paisagem, com a rua e com a própria cidade. A ausência de grandes volumes também preserva a insolação da praia, mantém a vista livre e ajuda a proteger a leitura de marcos simbólicos, como o Convento da Penha, evitando disputas visuais desnecessárias.
Em Guarapari, o cenário é semelhante. Empreendimentos com poucos pavimentos já fazem parte da configuração urbana em áreas onde o gabarito é limitado. São construções que respeitam as regras, ocupam terrenos valorizados e avançam no cronograma de obras, sinalizando que há público para esse tipo de proposta.
E essa não é uma exceção nem novidade do setor, mas resultado de uma leitura atenta do espaço urbano por um mercado em permanente adaptação. O segmento imobiliário capixaba sempre operou dentro das regras municipais, ajustando projetos, recalibrando expectativas e encontrando caminhos possíveis para viabilizar empreendimentos sem romper com o planejamento urbano.
Vale destacar, inclusive, que essa limitação de altura não tem empobrecido projetos; muito pelo contrário. Com menos pavimentos, cresceu a atenção ao desenho arquitetônico, aos materiais, às áreas comuns e à relação com o espaço público. O resultado são ocupações mais contidas, com certo ar bucólico, que valorizam a paisagem e imprimem nova dinâmica a áreas já consolidadas.
Uma experiência que não é exclusividade local. Em Punta del Este, no Uruguai, por exemplo, é fácil encontrar edifícios de alto padrão com poucos andares, implantados em áreas sensíveis do ponto de vista paisagístico. São projetos que demonstram que qualidade, valorização imobiliária e cuidado com o ambiente urbano podem caminhar juntos, mesmo quando a verticalização é limitada.
No fim das contas, atuar dentro dos limites é também uma forma de qualificar a cidade. Ao considerar as regras e as particularidades de cada lugar, o mercado imobiliário contribui para transformar os espaços urbanos com mais equilíbrio e formar paisagens que respeitam a escala do lugar e se renovam sem perder identidade.
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