O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é mais do que uma data simbólica. É um momento de reflexão sobre direitos, conquistas e, sobretudo, sobre os caminhos que ainda precisam ser percorridos para que as mulheres vivam com dignidade, respeito e segurança. Entre esses caminhos, há um elemento essencial que transforma realidades: o conhecimento.
O conhecimento é uma das bases do verdadeiro empoderamento feminino. Quando uma mulher conhece seus direitos, compreende sua realidade e identifica situações de violência, ela passa a ter ferramentas para se proteger e para romper ciclos que, muitas vezes, se perpetuam por anos.
Muitas mulheres vivem em relações marcadas por violência sem sequer perceber que estão dentro desse ciclo. A violência contra a mulher não se resume à agressão física, e pode ser psicológica, moral, patrimonial, política ou sexual. Saber identificar essas formas de violência é o primeiro passo para quebrar o silêncio e buscar proteção.
Da mesma forma, conhecer as leis que protegem as mulheres é fundamental. O ordenamento jurídico brasileiro possui importantes instrumentos de defesa, como a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, a Lei do Minuto Seguinte, a Lei Carolina Dieckmann, a Lei da Igualdade Salarial, a Lei de Combate à Violência Política contra a Mulher e a lei que tipifica o crime de perseguição, conhecido como stalking; entre outras normas que combatem discriminações e crimes contra a honra. Essas leis representam avanços importantes na proteção das mulheres, mas só produzem efeitos reais quando são conhecidas e reivindicadas.
O conhecimento também é um caminho para romper a dependência econômica, que muitas vezes mantém mulheres presas a relações abusivas. A mulher que tem acesso à educação, qualificação e oportunidades de trabalho amplia sua autonomia e fortalece sua capacidade de decisão sobre a própria vida.
Além disso, o conhecimento também liberta da dependência emocional. Ao estudar, refletir e desenvolver sua consciência crítica, a mulher passa a reconhecer sua própria força, sua dignidade e seu valor. Ela compreende que é completa, capaz e merecedora de respeito.
Como presidente da Caixa de Assistência dos Advogados do Espírito Santo (CAAES), busco ampliar o conhecimento de mulheres advogadas quanto a seus benefícios, pensados especialmente para promover cuidados, acolhimento e qualidade de vida. Entre eles estão o atendimento gratuito com nutricionistas e psicólogas, ofertas de atividades esportivas, consultório médico digital e telemedicina.
Além disso, disponibilizamos auxílios financeiros voltados às mães advogadas, para apoiá-las em um período sensível da vida, e também às mulheres vítimas de violência, oferecendo suporte em momentos de vulnerabilidade, com objetivo de minimizar os impactos dessas situações difíceis, e contribuir para que essas mulheres atravessem essa fase com mais dignidade, amparo e segurança.
Durante muito tempo disseram às mulheres quais espaços elas poderiam ocupar. Disseram que certos lugares não lhes pertenciam. Mas a história tem demonstrado que o estudo e o conhecimento são os caminhos mais seguros para que as mulheres conquistem aquilo que sempre foi seu por direito: respeito, liberdade, igualdade de oportunidades e o direito de viver plenamente.
Celebrar o mês da mulher é também reafirmar um compromisso coletivo com a vida e com a dignidade feminina. Queremos mulheres livres, seguras e vivas. Queremos acesso à educação, oportunidades e respeito. Queremos uma sociedade mais justa, mais humana e verdadeiramente igualitária.
Porque toda mulher tem direito à liberdade, à segurança e à felicidade. E o conhecimento é, sem dúvida, uma das chaves mais poderosas para abrir essas portas.
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