Alice da Conceição é aluna de Direito, Viktor Arnaldo já é dentista formado e milhares de outros estudantes cursaram, estão cursando ou irão ingressar em instituições privadas de ensino superior no Espírito Santo por conta de uma política pública estruturada e melhorada, ao longo dos anos, pelo Governo do Estado.
No edital atual do Nossa Bolsa, programa coordenado pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e secretarias da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti) e da Educação (Sedu), estudantes capixabas da rede pública terão oportunidade de cursar Administração, Ciências Contábeis, Direito, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina e diversas engenharias, como Civil, Elétrica, Automação e Controle, Mecânica e Produção. São mais de 40 cursos.
A leitura do Nossa Bolsa como política pública ajuda a compreender um traço relevante da trajetória recente do Governo do Espírito Santo: a combinação entre continuidade, foco em resultados e disposição permanente para o aprimoramento.
O programa foi criado há 20 anos e foi aprimorado e melhorado aos longos dos tempos, consolidando-se como uma política de longa duração voltada à inclusão educacional. Para isso, utiliza a capacidade instalada da rede privada de ensino superior, por meio da concessão de bolsas.
Direciona recursos públicos para quem mais precisa e estabelece critérios objetivos de seleção. Não se trata de uma política experimental ou episódica. Ao contrário, é uma iniciativa que atravessa diferentes governos, mantendo seu núcleo conceitual e se ajustando às novas realidades.
Ao longo de duas décadas, o Nossa Bolsa foi sendo aperfeiçoado em escala, nos critérios de seleção e no desenho institucional. Em 20 anos, foram concedidas cerca de 30 mil bolsas. A adoção da nota do Enem como principal critério classificatório, a ampliação do público elegível e a expansão territorial gradual da oferta refletem um processo contínuo de aprendizado e qualificação da política pública.
O ciclo do primeiro semestre de 2026, cujas inscrições se encerram em 19 de janeiro, é ilustrativo dessa maturidade. Estão sendo ofertadas 1.001 vagas, distribuídas em mais de 40 cursos, em 12 municípios. A maioria das vagas é destinada à ampla concorrência, com 542 oportunidades, mas há reservas específicas para moradores de bairros atendidos pelo programa Estado Presente, com 222 vagas, para estudantes autodeclarados afrodescendentes, com 206 vagas, e para egressos do sistema prisional do Espírito Santo, com 31 vagas.
A edição de 2026 traz como novidade a pontuação adicional associada à participação no ensino técnico. Houve também a ampliação do limite de renda bruta per capita familiar, de um salário mínimo e meio para dois salários mínimos, ajustando o programa à nova realidade de renda do estado e do país.
Ao mesmo tempo, a elevada procura observada nos últimos anos evidencia tanto o acerto da política quanto seus limites objetivos, recolocando o debate sobre escala e equidade territorial no centro da agenda pública. Em 2025, foram registrados 11 candidatos para cada bolsa oferecida.
Os desafios são conhecidos e não devem ser relativizados. A limitação no número de bolsas e o alcance municipal, por exemplo, não decorrem apenas da disponibilidade orçamentária, já que para o edital de 2026 estão reservados R$ 49,67 milhões. Esses limites também dependem da própria oferta e da distribuição territorial da rede privada de ensino, que permanece mais concentrada na Grande Vitória.
É justamente nesse ponto que o Nossa Bolsa se transforma em referência de método. O programa demonstra que políticas públicas bem-sucedidas não são aquelas que se pretendem definitivas, mas as que incorporam a lógica da melhoria contínua.
Tomar o Nossa Bolsa como lente para observar o governo atual do Espírito Santo permite identificar uma marca clara: a recusa tanto do improviso quanto da imobilidade. Governa-se com base em políticas consolidadas, que acumulam aprendizado ao longo do tempo, mas que não se acomodam.
É a compreensão de que boas políticas não se encerram em um desenho inicial. Elas evoluem, respondem às evidências e se adaptam às transformações sociais, econômicas e territoriais. Continuidade com aperfeiçoamento, como afirmou recentemente o governador Renato Casagrande.
Nesse sentido, o Nossa Bolsa não é apenas um programa educacional. Ele simboliza uma forma de governar, persistente nos objetivos, responsável na gestão dos recursos, baseada na cooperação entre diferentes atores, comprometida com a avaliação contínua e aberta à inovação.
Trata-se de um programa que, além de efetivo, reforça a relevância de uma gestão pública de qualidade, que fez do Espírito Santo uma referência nacional.
Em um momento de grandes transformações e de desafios como os que vivemos no Brasil e no mundo, não bastam respostas conhecidas. Por mais contraditório que pareça, o único caminho seguro é manter o rumo certo e, ao mesmo tempo, ter competência para aperfeiçoar o que existe e inventar o novo.
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