O xadrez digital é implacável para quem teme marcar territórios nas eleições 2022. A esteira das redes sociais gira veloz e crava: quem se paralisa recua e tomba. Sem posicionamento e movimento, não há engajamento e encantamento, pois a plataforma dessa estação mostra que o alto do muro é um lugar cada vez mais inóspito para pré-candidaturas e candidaturas amorfas, sem contornos, pálidas em seus discursos. Sinais dos tempos: o espaço antes confortável do nem lá nem cá oferece fácil mira para ser alvo de pedradas, ou pior, de desprezo.
O público observa esse reality em desdobramento, que definitivamente não é um “BBB do amor”, mas sim combativo e contundente. Pesquisa publicada no livro “O Eleitor Conectado Brasileiro”, desenvolvida pelo professor Marcelo Vitorino, consultor de Marketing Político, mostra que a primeira frente visualizada pelos seguidores quando buscam informações sobre um candidato nas redes é a opinião dele sobre temas atuais e relevantes: 74% dos entrevistados disseram que esse tópico, o campeão, “interessa muito”. Para postulantes a cargos no parlamento (deputados federais e estaduais e senadores), nos quais a defesa ideológica conta altos pontos, essa informação é valiosa.
Em seguida, no levantamento de múltiplas respostas, despontam como assuntos que despertam mais atenção “história e trajetória política” (72%) e propostas de campanha (72%). “Frases motivacionais”, “fotos de campanha” e “agenda de campanha” ficam com percentuais bem mais modestos, que variam de 22% a 10%.
Os números sinalizam: aquilo que move o público a seguir um candidato e com ele se conectar está ligado à sua reputação digital, um trabalho focado em estratégias de médio e longo prazo. Para uma comunicação política consistente e eficiente, este combo é essencial: o que o candidato pensa, quem ele é e o que pretende fazer no futuro.
O ouro da comunicação política digital é a segmentação. Por meio da internet, o futuro candidato encontra o público que vai se interessar pelas opiniões e pautas por ele defendidas. Quem fizer bom uso da segmentação e considerar os interesses de seu público terá mais chances de conquistar a preferência do eleitor.
E a hora para trabalhar isso é agora, na pré-campanha. Pautas não faltam: vão desde aquelas ligadas a causas sociais e igualitárias (combate ao racismo, à homofobia, ao machismo...) até questões como propostas para reforma tributária e controle da inflação. Interessa tudo que toca a amplitude da política, e não apenas a partidária: o caso Monark, o bárbaro assassinato do jovem congolês no Rio, o preço do tomate e da gasolina, o espaço ocupado pela mulher no mundo do trabalho e até, se couberem, os episódios do Big Brother que envolvam minorias, opressão e justiça social.
Enfim, o campo é extenso e exige curadoria, seleção, foco, disciplina, responsabilidade e autenticidade. Até os memes, que parecem ser elementos superespontâneos, devem ser avaliados criteriosamente antes de irem ao ar.
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É preciso fincar bandeiras nesse terreno virtual, onde se manter uma personalidade “planta”, abatida, sem comprometimento, não é uma opção no show de realidade que culmina nas urnas.
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