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Gustavo Genelhu

Artigo de Opinião

É médico geriatra
Gustavo Genelhu

Idoso precisa de cuidados, mas não é uma criança grande

Muitas pessoas enxergam a velhice como um retorno à infância e acabam tratando o idoso de forma inadequada, subestimando a história de vida e a autonomia da pessoa mais velha
Gustavo Genelhu
É médico geriatra

Publicado em 30 de Maio de 2021 às 14:00

Publicado em 

30 mai 2021 às 14:00
Idosos integram grupo de risco que mais precisou mudar rotina na pandemia
É preciso atentar-se para o limite entre carinho e infantilização dos idosos Crédito: Bruno Martins/ Unsplash
Pense naquelas pessoas famosas que você admira e que já passaram dos 60 anos. Com certeza, há muitas personalidades que despertam carinho e admiração, tanto pelo que são quanto pelo que fazem.
Agora se imagine falando para o cantor Roberto Carlos: “Vamos cantar uma musiquinha?” Ou se dirigindo ao Rei do Futebol, Pelé, dizendo “Vamos brincar de bolinha?”. Há de se concordar que é, no mínimo, estranho. Para não dizer desconcertante.
Muitas pessoas enxergam a velhice como um retorno à infância e, para expressar cuidado e amor, acabam tratando o idoso com expressões e gestos infantis, ou falam com outras pessoas como se aquele senhor ou senhora não estivesse ali, como se realmente tivessem lidando com crianças.
Esse tipo de tratamento, portanto, é inadequado, uma vez que subestima a história de vida, a autonomia e a capacidade de compreensão da pessoa mais velha.
O fato de ser funcionalmente dependente e até ter a cognição comprometida não faz do idoso uma criança. Trata-se de um indivíduo que construiu a sua história, um dia deixará um legado para os que partirão depois dele e, sim, ainda tem muito o que ensinar.
Expressões infantilizadas podem desencadear sentimentos de inutilidade e autoestima baixa, mesmo que eles não demonstrem isso claramente. A maturidade e a capacidade cognitiva não são incompatíveis com a terceira idade, muito pelo contrário.
É preciso atentar-se para o limite entre carinho e infantilização. Infantilizar nossos pais ou avós é atribuir uma visão bastante equivocada a respeito do idoso. Da mesma forma que não devemos tratar crianças como adultos, puerilizar a terceira idade é atribuir às pessoas mais velhas uma condição que não é delas.
É preciso, claro, estar ciente dos cuidados que a terceira idade exige. Alguns necessitam de mais atenção e ajuda contínua, inclusive para a realização de atividades básicas, mas isso não pode desencadear o sentimento de impotência.
O idoso não é uma criança que cresceu, tampouco está à espera do fim. Embora possam se tornar cuidadores, os filhos continuam sendo filhos e jamais se tornarão pais dos seus pais. Os papéis não se invertem em razão das limitações trazidas pela idade avançada.
A velhice tem muito a nos ensinar, seja por meio dos nossos idosos, seja pelas experiências que acumulamos ao longo da vida. E todos, sem exceção, desejam chegar a essa fase da vida cercados de cuidados, amor e respeito pela sua trajetória!
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