ASSINE
Autor(a) Convidado(a)
É especialista em Gestão do Agronegócio e secretário de Agricultura de Linhares (ES). Presidente do Fosemag – Fórum de Secretários Municipais de Agricultura do Espírito Santo

Gestão pública no agro precisa se modernizar

A integração de gestores públicos e privados deve ser intensificada para aproximar bons projetos com objetivos comuns e potencializar resultados

Publicado em 06/12/2021 às 14h00

O agro brasileiro tem mostrado ao mundo seu dinamismo através dos indicadores de produção alcançados ano após ano. Índices expressivos de produção de alimentos, fibras e energias com responsabilidade ambiental, amparada em legislações, demonstram a força do setor agropecuário nacional mesmo com desafios diversos enfrentados pelos agricultores e integrantes desta cadeia de negócios.

O conceito de “agribusiness”, definido pelos pesquisadores de Harvard John Davis e Ray Goldberg,  enxerga a atividade produtiva como o centro de uma cadeia de negócios integrada sendo uma soma das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles. Esse conceito define bem o envolvimento de vários elos neste negócio que mantém o superávit da balança comercial brasileira e, no Espírito Santo, é responsável por mais de 30% do Produto Interno Bruto e decisivo no aspecto social com geração de empregos e renda nos quatro cantos do Estado.

A tecnologia empregada nas ultimas décadas tem possibilitado enormes avanços de produtividade nas mesmas áreas cultivadas, incremento na qualidade e no processamento dos produtos, além de ganhos na comercialização. Todo esse avanço coloca o Brasil em posição de destaque no cenário agrícola mundial. O Espírito Santo tem acompanhado esse movimento e, embora com dimensões territoriais pequenas, tem reconhecimento nacional pelo perfil do seu agronegócio.

Um dos desafios que temos é que as administrações públicas acompanhem essa evolução do agro e ajam seguindo esse conceito integrado. A gestão pública em todo país precisa avançar nos processos de melhorias das entregas ao cidadão buscando gestões eficientes que garantam mais resultados às demandas existentes. No setor agropecuário não pode ser diferente.

Historicamente, por exemplo, as secretarias municipais de agricultura ficam a cargo, basicamente, de oferecer serviços de máquinas aos produtores e manutenção das estradas rurais. Estrada é necessário e prioridade para garantir a trafegabilidade das famílias rurais e escoamento da produção, mas temos que ir além. Temos que pensar estrategicamente o desenvolvimento econômico regional pelas atividades agropecuárias.

Os recursos provenientes de emendas parlamentares, por exemplo, tão disputados e, de fato, necessários para permitir a viabilização de ações municipais e estaduais, a meu ver, precisam ser conectados com políticas públicas locais e regionais e não cair, como em muitos casos, no âmbito do relacionamento político apenas. Para isso, contudo, primeiro tem que existir o planejamento local e regional.

As administrações públicas, integradas com instituições e a sociedade civil organizada, precisam definir programas de governos baseados em visões de médio e longo prazo que perpassem mandatos de governantes. Temos eixos importantes a serem trabalhados para melhora dos recursos naturais para a produção rural, avanços em produtividade e qualidade dos produtos, incentivo a verticalização da produção para agregar valor, conexão com mercado, com o turismo, conectividade, etc.

A integração de gestores públicos e privados deve ser intensificada para aproximar bons projetos com objetivos comuns e potencializar resultados. Precisamos disseminar políticas estratégicas de desenvolvimento do setor agropecuário observando os potenciais e características de cada região.

Aliado a isso, é necessário destravar desafios logísticos para melhorar nossos mercados. Melhorar infraestrutura rodoviária. Melhorar dinâmica marítima e aérea para nossas exportações. Precisamos investir em tecnologia e nas pessoas. Para que a transferência de conhecimento possa ser uma mola propulsora de desenvolvimento ainda maior do setor agropecuário.

Que o agro possa ter no poder público, em todas suas esferas, um espelho do que o setor representa para o país.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.