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É advogada, mestra em Direitos e Garantias Fundamentais e pesquisadora sobre políticas e violências contra mulheres

Fórum Geração de Igualdade começa hoje em Paris. Mas Brasil fica de fora

Ministra Damares Alves alegou problema de logística na participação do país. Que desculpa mais estapafúrdia. Seria mais honesto assumir que governo não tem o menor interesse em alcançar a igualdade de gênero

Publicado em 30/06/2021 às 16h00
A ministra Damares Alves e o presidente Jair Bolsonaro, em cerimônia no Pará
A ministra Damares Alves e o presidente Jair Bolsonaro, em cerimônia no Pará. Crédito: Alan Santos/ PR

O Brasil vai ficando cada vez mais nanico internacionalmente, na mesma proporção em que as violências contra as mulheres vão ficando cada vez maiores. Esse é o atual cenário do nosso país nas mãos do governo Bolsonaro e da ministra Damares Alves.

Está começando hoje em Paris, de forma virtual, o Fórum Geração de Igualdade, com o objetivo de que Estados e a sociedade civil estabeleçam uma agenda de combate à desigualdade de gênero para os próximos cinco anos, com vistas a atender ao ODS5 – igualdade de gênero. Mas o Estado brasileiro não participará.

A ministra Damares Alves alegou problema de logística na participação do Brasil. Que desculpa mais estapafúrdia, ministra. Seria mais honesto assumir que o Brasil, desde 2019, não tem o menor interesse em alcançar a igualdade de gênero, não tem o menor interesse em combater as desigualdades, as violências que meninas e mulheres passam todos os dias em casa, no trabalho, na política e nas ruas.

Várias vezes eu já falei aqui sobre o ODS5 e a Agenda 2030, mas acho importante neste momento deixar muito explícito o que está sendo discutido no Fórum e que o Brasil não mostrou interesse em participar. O Brasil, sob a gestão de Bolsonaro e Damares, não mostra interesse, entre outras coisas, em “adotar e fortalecer políticas sólidas e legislação aplicável para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento de todas as mulheres e meninas, em todos os níveis”; “assegurar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva e os direitos reprodutivos”; “garantir a participação plena e efetiva das mulheres e a igualdade de oportunidades para a liderança em todos os níveis de tomada de decisão na vida política, econômica e pública”; “eliminar todas as práticas nocivas, como os casamentos prematuros, forçados e de crianças e mutilações genitais femininas”; e “acabar com todas as formas de discriminação contra todas as mulheres e meninas em toda parte”.

No Fórum deste ano, o Estado brasileiro não estará. Mas como tem acontecido nesses dois últimos anos, a sociedade civil e a iniciativa privada estão, para garantir vida digna e pra reduzir as desigualdades, em busca da igualdade de gênero. Apesar de Bolsonaro e Damares, a gente segue por todas nós.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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