Enquanto as primeiras frases desta coluna são escritas, há mulheres vivendo com medo dentro de suas próprias casas, há mulheres assassinadas. Os dados que nos chegam não são meros números; são uma demanda implacável e desesperada para que todos nós tomemos uma atitude. Entre 2015 e 2025, o Brasil teve mais de 13 mil vítimas de feminicídio. Isso não é apenas uma estatística fria. Estamos falando de mortes com nomes, com histórias, com famílias destruídas.
É por isso que dedico minha vida e minha missão a essa trincheira. Liderando a Bancada Feminina da Câmara dos Deputados, sendo membro do conselho gestor do Pacto Nacional pelo Enfrentamento ao Feminicídio ou agora atravessando fronteiras como convidada da ONU para discutir os direitos das mulheres em Nova York. A luta é a mesma: garantir nosso direito de existir.
Viemos à sede das Nações Unidas para projetar um Brasil forte em sua aspiração por inclusão e equidade e para defender reformas legislativas que sistematicamente redefinam nosso destino. Trazemos conosco marcos históricos — clássicos mundiais, como a Lei Maria da Penha, a Política Nacional de Cuidados e a Lei de Igualdade Salarial e Remuneração — do qual tive a grande honra de ser relatora no meu primeiro ano de mandato.
Nós sabemos o que acontece quando a política se contenta com discurso. a vida real cobra resultado. E a vida exige resultados. E é por isso que a Bancada Feminina, da qual sou coordenadora, se tornou um dos grandes motores do Congresso Nacional para enfrentar a violência e a desigualdade.
Ao trabalhar, através de nossas palavras e com nossa coragem, deixamos de lado as diferenças partidárias e nos concentramos no que importa: a vida das mulheres brasileiras. O caminho não é fácil. Há resistências por toda parte, tentativas de silenciar nossas agendas e pessoas que colocam a dor das mulheres como uma "questão secundária". Mas nossa resposta tem sido consistente: toda vez que uma mulher cruza a linha, nenhuma de nós volta atrás.
E assim, para este ano, estabeleci uma missão— acabar com a praga dos feminicídios em nosso país. Estamos instando a Câmara a aprovar a criação do Sistema Nacional de Combate à Violência contra Meninas e Mulheres. Por exemplo, trata-se de uma garantia de R$ 5 bilhões apenas para proteger nossas vidas — com mecanismos para romper os tetos de gastos em casos de crise extrema, inclusive. Ao mesmo tempo, estamos combatendo a violência na internet: aqui, apresentamos projetos muito rigorosos para controlar aqueles que ameaçam, atacam e caluniam mulheres na vida digital.
Tudo isso junto é uma batalha de intensidade simultânea em várias frentes. Agora, em Nova York, no palco internacional, o objetivo é coordenar e mapear novos caminhos diante de tal realidade. Falamos em nome do parlamento brasileiro e reiteramos ao mundo que o território de uma mulher é, e sempre será, onde ela estiver. Se isso acontecer, voltaremos para casa com aprendizados, relações internacionais e alianças que nos ajudarão a lutar nossa guerra diária pela sobrevivência da vida.
Fecho esta reflexão considerando o que o momento presente exige de todos nós: menos indiferença, mais ação. Menos normalização da barbárie; mais responsabilização.
Menos silêncio; mais rede de apoio. Acima de tudo, que este seja nosso compromisso público inabalável. Não aceitaremos que violência, medo e morte sejam o preço que temos que pagar por ser mulher no Brasil. Se continuarmos, faremos isso com muita coragem e muito trabalho até que viver com dignidade e segurança seja de fato o direito pleno de todas nós.
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