ASSINE
Autor(a) Convidado(a)
É farmacêutica bioquímica e autora dos livros “Desatando os Nós do Transtorno do Déficit de Atenção - TDA” e "Transtorno do Déficit de Atenção - TDA, sob o ponto de vista de uma mãe"

Diagnóstico precoce do Transtorno do Déficit de Atenção muda vidas

Quando a descoberta da condição ocorre na infância, há maiores possibilidades de ter qualidade de vida na fase adulta, porque já se conhece as estratégias para driblar as dificuldades

Publicado em 15/06/2021 às 14h00
Antes do diagnóstico de TDA, muitas crianças são tachadas de levadas ou preguiçosas
Antes do diagnóstico de TDA, muitas crianças são tachadas de levadas ou preguiçosas. Crédito: Sharon McCutcheon/ Pexels

Crianças levadas, adolescentes sem limites, preguiçosos... Esses são alguns estereótipos que jovens com Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) recebem, geralmente de pessoas próximas, às vezes da própria família, de colegas de sala de aula e até de profissionais da educação.

Segundo dados da Associação Brasileira de Déficit de Atenção, 4,4% dos adultos possuem quadro completo de TDA/TDAH. O transtorno começa a se desenvolver na infância e persiste ao longo da vida, porém as características mudam com o crescimento e amadurecimento da pessoa.

Quando o diagnóstico ocorre na adolescência, a criança já sofreu as consequências no âmbito social, emocional e acadêmico. Provavelmente já sentiu na pele o bullying.

Esses jovens carregam as dificuldades e buscam meios de fugir delas. Não raro, partem para abusos de substâncias lícitas e/ou ilícitas, vícios, brigas desnecessárias, além da probabilidade de ter comorbidades que se associam ao transtorno, complicando ainda mais a situação.

O adulto que foi diagnosticado na adolescência tem grande propensão de carregar esse “fardo” vivido, como a falta de estruturação para entender o TDA, ausência de limites, de cumprimento das rotinas e de resultados positivos.

A desatenção é um sintoma e não a causa. Ela compromete a capacidade de planejamento, execução, organização, tempo, memória de trabalho, emoções e persistência aos objetivos.

Acontece que na vida adulta as responsabilidades são maiores, as rotinas são mais apertadas, as pressões no trabalho aparecem com frequência e as obrigações em família são inúmeras. A pessoa deixa de ter ajuda dos pais ou orientação no dia a dia. Então, suas ações têm consequências desastrosas, gerando frustrações no trabalho, nos relacionamentos, provocando baixa autoestima, inquietude e ausência de gerenciamento de tempo.

No entanto, quando o diagnóstico ocorre na infância, há maiores possibilidades de ter qualidade de vida na fase adulta, porque já se conhece as estratégias compensatórias nas dificuldades, os mecanismos de driblar a memória, além da busca pela superação dos limites. A pessoa passa a ter e praticar seu autoconhecimento: o que funciona, o que ajuda ou atrapalha, como lidar, como vencer obstáculos.

Em todas as situações, a busca pelo diagnóstico assertivo é fundamental. Quanto mais precoce for, melhor o entendimento para aprender a lidar com o TDA e tirar proveito dele. Ele tem que ser um aliado, já que não tem como viver sem o transtorno. O risco de não tratar é certamente maior que o risco do tratamento.

Portanto faça o melhor que você puder com aquilo que tem. Não deixe passar a oportunidade de vencer as adversidades. Sua capacidade é infinita. Acredite!

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

A Gazeta integra o

Saiba mais
crianca Saúde mental

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.