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É padre, vigário para Ação Social, Política e Ecumênica da Arquidiocese de Vitória

Campanha da Fraternidade 2022 lembra a desigualdade do acesso à educação

Para marcar o que defendemos ser prioritário para o setor em nosso país, neste dia 6, primeiro domingo da Quaresma, realizaremos um ato público às 15h, na orla de Camburi, em Vitória, próximo ao Quiosque 3

Publicado em 06/03/2022 às 02h00
Lápis
A Igreja Católica, historicamente, tem um papel fundamental no fortalecimento da educação. Crédito: Pixabay

Será lançada neste domingo (6), em Vitória, a Campanha da Fraternidade 2022, organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e que terá como tema central a Educação.

A campanha está relacionada com a Quaresma, porque foi inspirada e proposta para nos ajudar a vivenciar e aprofundar esse tempo sagrado, preparando-nos para a Celebração da Páscoa. Ela surgiu em 1964, início da ditadura militar no Brasil, e perdura até hoje, trazendo a lume a realidade sofrida de nossos irmãos e irmãs, vítimas das desigualdades sociais e propondo ações para a transformação da realidade, a fim de termos uma sociedade mais igual, justa, humana e fraterna.

Nas últimas décadas foram introduzidos, além dos temas sociais e políticos, o ecumenismo e a ecologia, temas pujantes e necessários nesses tempos sombrios em que vivemos. Em 2022, será a terceira vez que a Igreja no Brasil vai tratar sobre a Educação como tema da Campanha da Fraternidade (além 1982 e 1988), por sabermos quantos desafios estão postos na realidade concreta em nosso país tão desigual. Contudo, eu destaco dois: tornar o acesso à educação de qualidade universal e inclusivo e a construção de uma educação humanizada, participativa e integral, contrapondo-se à meritocracia mercadológica.

E a Igreja Católica, historicamente, tem um papel fundamental no fortalecimento da educação. Ainda hoje, muitas congregações religiosas administram obras educacionais que vão do ensino fundamental ao superior. Esse é um dado importante que precisa ser considerado pela instituição católica: a Igreja forma milhares de brasileiros, anualmente, e ela não pode ser uma educação orientada e voltada para o mercado.

Olhando para isso, o papa Francisco propôs mundialmente o Pacto Global pela Educação, em que defende que a educação é direito de toda pessoa e responsabilidade de toda a sociedade. O Pacto Global e o texto base da campanha trazem diversas propostas de ações. Aqui na Grande Vitória, é fundamental que a Igreja apoie as conquistas históricas e os poucos avanços que tivemos na educação pública, como a democratização da direção nas escolas municipais, a educação do Campo e a Educação de Jovens e Adultos.

Ao olhar para o contexto local onde nossa Arquidiocese está, temos, há décadas, desenvolvido cerca de 20 projetos sociais voltados para crianças, adolescentes, jovens e adultos, atendendo mais de 6.000 famílias, além de outras atividades em mais de 90 paróquias.

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E para marcar de forma clara o que defendemos ser prioritário para a Educação em nosso país, neste dia 6, primeiro domingo da Quaresma, realizaremos um ato público às 15h, na orla de Camburi, próximo ao Quiosque 3. Após o encontro, todos seguirão em uma Via Sacra da Educação até a Universidade Federal do Espírito Santo, carregando cruzes que lembrarão os profissionais da educação mortos pela Covid-19 e os impactos da pandemia sobre o acesso ao estudo.

Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta.

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