A história da representação capixaba nos tribunais superiores é, a um só tempo, motivo de orgulho remoto e de reflexão urgente. Nosso Estado deu ao país Manoel Pinto Ribeiro Pereira de Sampaio, ministro e presidente do Supremo Tribunal de Justiça no Império, e José Carlos da Fonseca, ministro classista do TST na República. São registros honrosos, porém isolados: há mais de um século, nenhum capixaba ocupa assento no STF ou no STJ.
Em duas oportunidades recentes, juristas do Espírito Santo alcançaram o primeiro lugar em listas tríplices para o STJ — reconhecimento inequívoco de seu mérito pela comunidade jurídica nacional. Em ambas, porém, a escolha final, prerrogativa legítima do Executivo, recaiu sobre outros nomes.
No TRF da 2ª Região, dois capixabas integrantes de listas para o quinto constitucional foram igualmente preteridos, embora a posterior nomeação do desembargador Júlio de Castilhos tenha representado um alento.
O Espírito Santo cresceu. Nosso PIB está entre os que mais avançam no país, nosso complexo portuário é referência logística nacional e nossa bancada parlamentar exerce protagonismo crescente no Congresso. Essa evolução, contudo, ainda não encontrou correspondência na composição das cortes superiores.
Vivemos um tempo em que o Judiciário assume papel cada vez mais central nas grandes decisões nacionais. A ausência de vozes capixabas nesse espaço não é lacuna simbólica — é déficit de representatividade federativa que empobrece a pluralidade de perspectivas na prestação jurisdicional.
Defendemos, por isso, que essa busca se torne verdadeira pauta de Estado, capaz de unir situação e oposição, movimentos sociais e sindicais, empresariado, advogados, promotores e magistrados.
Dirigimo-nos ao Executivo federal com respeito e esperança, confiantes de que o olhar da República alcançará o Espírito Santo com o carinho que nosso povo merece. Temos juristas à altura de qualquer tribunal. Falta-nos a oportunidade — e a articulação coletiva para conquistá-la.
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