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Produção de rochas ornamentais é principal atividade no Sul
Produção de rochas ornamentais é principal atividade no Sul. Crédito: Weverson Rocio/setur-es

Sul do ES planeja ir além do mármore e granito para diversificar economia

Rochas ornamentais produzidas na Central Sul são muito cobiçadas internacionalmente, mas região quer diversificar oportunidades

Publicado em 24/11/2021 às 05h00

As riquezas da microrregião Central Sul extrapolam as divisas do Espírito Santo e navegam por mares mundo afora até aportarem em diversos continentes. O mármore e o granito produzidos em Cachoeiro de Itapemirim e Castelo são exemplos de produtos capixabas muito cobiçados internacionalmente.

Além das duas cidades, fazem parte da microrregião Vargem Alta, Muqui, Atílio Vivácqua, Mimoso do Sul e Apiacá. A vocação para extração, beneficiamento de rochas ornamentais e comercialização no mercado internacional impulsiona também o setor de prestação de serviços.

A qualidade do atendimento nas áreas de Saúde e Educação atrai pessoas de outras localidades do Estado, do Oeste de Minas Gerais e Norte do Rio de Janeiro para essa região.

O Produto Interno Bruto (PIB) da Central Sul é de R$ 7,2 bilhões e corresponde a 5,32% do PIB estadual. A maior parte da economia (65%) é composta pelo setor de serviços, enquanto que a agropecuária representa 3,2%.

O diretor de Integração e Projetos Especiais do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, acrescenta a importância que a indústria tem na região, sendo responsável por 20% do PIB local.

O segmento de rochas ornamentais tem em Cachoeiro de Itapemirim seu polo de beneficiamento, mas a atividade também é bem forte em Castelo e impacta economicamente as regiões do entorno. “O corte de pedras e o beneficiamento das peças, além da Feira Internacional de Mármore e Granito, realizada em Cachoeiro de Itapemirim, projetam a economia do Estado para o mundo”, destaca Lira.

Ele aposta em um crescimento do PIB do setor industrial na microrregião nos próximos anos devido à implantação da fábrica de papel da Suzano em Cachoeiro, inaugurada em 2021.

INDICADORES

O PIB per capita da microrregião Central Sul é de R$ 22 mil, ficando abaixo do índice estadual. Castelo registra o maior PIB por pessoa entre os municípios da região, de R$ 25 mil, e em segundo lugar está Cachoeiro de Itapemirim, com R$ 23 mil. Já Muqui apresenta o menor indicador per capita da região, de R$ 12,17 mil.

“A população de Castelo não é tão grande, mas a agropecuária e a extração de rochas ornamentais, que operam dentro da cidade, contribuem para esse resultado. Já em Muqui, estão presentes atividades do setor primário”, analisa o diretor do IJSN.

De acordo com o índice Firjan, que serve de base para o panorama elaborado pelo Instituto Jones dos Santos Neves, Cachoeiro de Itapemirim se destaca no quesito Emprego e Renda, com indicador em 0,623, seguido pelos municípios de Castelo e Atílio Vivacqua, com 0,550 e 0,489, respectivamente.

Segundo a Firjan, o município polo da região também lidera em Educação, com índice de 0,868. Na sequência estão Castelo (0,860) e Atílio Vivacqua (0,845).

As demais cidades da Central Sul também apresentam alto índice de Desenvolvimento, entre 0,8 e 1,0. Somente Apiacá, tem um índice considerado moderado, de 0,773. Outro quesito no qual a região está bem avalia é quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). O indicador mensura o desenvolvimento humano com base em três dimensões: longevidade, escolaridade e renda.

A maior parte dos municípios que compõem a microrregião apresenta índices próximos a 0,7, considerada de médio a alto. O maior índice pertence a Cachoeiro do Itapemirim, com 0,746, seguido por Castelo e Atílio Vivácqua, com 0,726 e 0,708, respectivamente.

Essas três cidades são classificadas como alto desenvolvimento humano. “O desafio é que os outros municípios da Central Sul elaborem políticas públicas em Educação e Saúde, para não dependerem de Cachoeiro de Itapemirim ao precisarem de serviços mais especializados”, comenta Lira.

NOVAS TECNOLOGIAS

Em Cachoeiro de Itapemirim, a administração está investindo em novas tecnologias para desburocratizar os processos de abertura de novas empresas.

“Estamos entre as 20 cidades do Brasil com maior número de tipos de negócios que podem ser abertos sem necessidade de licenças e alvarás. Hoje, 508 atividades econômicas classificadas como de baixo risco podem começar a funcionar sem qualquer autorização pública em Cachoeiro”, comemora o prefeito Victor Coelho.

Ele também destaca que o novo Plano Diretor Municipal da cidade vai favorecer o ambiente de negócios no município, reduzindo entraves burocráticos para a instalação de empreendimentos.

“Nossas ações nesse sentido têm gerado bons resultados, mesmo neste ano particularmente difícil, por conta da pandemia. Pelo nono mês consecutivo, Cachoeiro teve saldo positivo de empregos, acumulando em 2021 mais de 2,8 mil novos postos de trabalho abertos, o melhor resultado nos últimos 15 anos”, aponta Coelho.

AGRO E CULTURA

Enquanto algumas cidades investem em tecnologia para deslanchar negócios, em outras localidades da Central Sul é a agricultura que movimenta a economia, com predomínio do café. É o caso de Mimoso do Sul, onde há produção de arábica nas regiões mais baixas do município e de conilon nas áreas de montanhas.

Já em Apiacá, o fruto do arábica é conhecido pelo selo de especial. Vargem Alta vem se destacando ainda com o cultivo de uva, enquanto que Muqui investe na pecuária leiteira e Atílio Vivácqua produz banana e hortaliças. Nesses municípios, o associativismo e o cooperativismo podem fortalecer o setor.

A Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes) destaca ainda a importância do turismo na região, que abriga o monumento natural o Frade e a Freira, situado nos limites dos municípios de Itapemirim e Vargem Alta. O local é considerado Patrimônio Natural Cultural pelo Conselho Estadual de Cultura. Já Muqui tem o maior sítio histórico do Espírito Santo, com mais de 200 construções tombadas. A cidade é referência em manifestações culturais tradicionais, como o Encontro Nacional de Folia de Reis e o Boi Pintadinho. Outro destaque cultural capixaba é o Festival de Viola, em São Pedro de Itabapoana, Mimoso do Sul.

Sítio Histórico de Muqui, no Sul do Espírito Santo
Sítio Histórico de Muqui, no Sul do Espírito Santo. Crédito: Ériton Berçaco

Investimento em infraestrutura pode transformar a Central Sul

Solucionar gargalos logísticos é o grande desafio e a principal esperança de desenvolvimento dos municípios localizados na Central Sul.

Se concretizados, os investimentos previstos podem elevar essa região a outro patamar. Entre eles está a duplicação da BR 101, que ainda não foi totalmente concluída.

“Já ocorreram melhorias, próximo a Cachoeiro de Itapemirim, mas a duplicação precisa ser concluída. Essas obras poderão impulsionar os negócios na região”, pontua o diretor do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira.

Ele destaca ainda a perspectiva de construção de um novo ramal ferroviário, no Sul do Estado, ligando Cachoeiro de Itapemirim a Vitória. “Esse é um vetor logístico que vai ampliar em larga escala a produção, gerando dinamismo econômico tanto para Cachoeiro quanto para outros municípios da Central Sul”, comenta Lira.

Com a realização dos investimentos, Cachoeiro de Itapemirim poderá despertar o interesse de empresas dos mais diversos segmentos industriais.

“As obras da BR 101 e a nova ferrovia poderão atrair várias empresas para a região, contribuindo também para a abertura de estabelecimentos comerciais e industriais que surgem na cadeia de grandes empreendimentos”, avalia Lira.

O economista e membro do Conselho Fiscal da Associação dos Consultores do Tesouro do ES (Acees), Eduardo Araújo, lembra que a microrregião é a mais populosa do Sul do Estado, e, por isso, conta também com grande disponibilidade de mão de obra.

No entanto, o especialista alerta que há desafios no que se refere à qualificação. Os indicadores educacionais de algumas cidades se encontram bem abaixo da média estadual, como observa Araújo.

“Como a região não dispõe de programas de incentivos fiscais tão atrativos quanto os do Norte capixaba, o plano de desenvolvimento econômico da Central Sul deve se pautar por investimentos mais audaciosos, na melhoria da infraestrutura, com duplicação de rodovias, e avanço no saneamento básico. A superação dos atuais gargalos logísticos pode ser um diferencial para atrair investidores”, avalia Araújo.

O economista ressalta que a pandemia resultou na ampliação da população em situação de pobreza extrema. “Desenhar programas sociais para suporte a essas pessoas em situação de fragilidade social, é importante. Mas é essencial que o desenvolvimento econômico sustentado seja pautado por uma agenda voltada à melhoria do ambiente de negócios.”

A qualidade de vida de seus munícipes é, de fato, um dos pontos que precisam ser melhorados nessas cidades, como é o caso de serviços de saneamento. Os menores percentuais de cobertura estão em Vargem Alta, com 37,07% no abastecimento de água por rede e apenas 3,17% na coleta de esgoto.

No quesito coleta de lixo, o pior índice é registrado em Mimoso do Sul, com 44,67% de coleta de lixo. As Diretrizes do Desenvolvimento Regional, traçadas pelo Instituto Jones, apontam que, no curto prazo, uma das soluções é implementar um consórcio de saneamento entre os municípios da Central Sul. No longo prazo, a diretriz é universalizar o saneamento básico na microrregião, com a equiparação dos serviços entre áreas urbanas e rurais.;

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