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Vitória é uma cidade com vários potenciais
Vitória é uma cidade com vários potenciais. Crédito: Cleferson Comarela

Integração dá força para cidades da Região Metropolitana crescerem mais

Sem limites claros, os municípios da Região Metropolitana são considerados, por muitos, um lugar só. Isso exige ações articuladas entre gestores

Publicado em 24/11/2021 às 04h00

Quem anda pela microrregião Metropolitana capixaba, muitas vezes, acaba confundindo os limites das sete cidades que a compõem, de tão conectadas. Somadas, elas concentram quase metade da população do Espírito Santo em apenas 5,5% do território estadual. Por isso, para especialistas, é importante que todos esses municípios se desenvolvam de forma integrada.

A Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) é formada pela Capital capixaba (Vitória), Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana e Vila Velha.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a microrregião concentra uma população estimada em mais pouco de 2 milhões de habitantes, sendo que, em todo o Espírito Santo, moram cerca de 4 milhões de pessoas.

Enquanto no Estado a taxa média de habitantes por quilômetro quadrado (Hab./km²) é equivalente a 86,19, nesses sete municípios metropolitanos ela é quase dez vezes maior, chegando a 838,83 Hab./km².

Mas não é apenas o número de moradores dessa microrregião que é maior que o das demais. Seu Produto Interno Bruto (PIB) representa 57,69% do Estadual. Quanto à composição do PIB por setores, destaca-se a atividade de serviços, com 57%, seguida pela receita dos impostos líquidos de subsídios sobre produtos, com 21%,e a indústria, com 21%. Já a atividade de agropecuária não contribui na composição do PIB.

O economista e coordenador-geral da Faculdade Pio XII, Marcelo Loyola, lembra que a Microrregião Metropolitana é o principal núcleo dinâmico da economia capixaba.

“Por estar localizada no espaço mais estratégico do Estado é forte ponto de convergência para as demais microrregiões, encontro das principais conexões logísticas. Ela também abriga a capital do ES, onde estão localizadas as principais instituições públicas, estaduais e federais”, cita.

Outro fator que também chama atenção para a localidade é o volume de geração de empregos formais. De acordo com dados do Ministério da Economia, na região, são 464,7 mil profissionais trabalhando com carteira assinada.

Já segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Espírito Santo (Sebrae-ES), mais de 230 mil empresas de todos os portes estão instaladas na metrópole.

“Temos uma grande concentração de negócios nessas cidades devido também ao fato de a população ser bem maior do que a das demais microrregiões do Estado. E, como consequência, a região também contribui com o maior percentual do PIB do Espírito Santo”, comenta o superintendente do Sebrae-ES, Pedro Rigo.

A diretora de Estudos e Pesquisas do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Latussa Laranja, ressalta que, apesar dos bons números, é preciso lembrar que existem condições muito diferentes entre os municípios da região.

“Vitória e Serra, por exemplo, tâm a renda mais elevada. Já Vila Velha e Cariacica, apesar de serem muito populosos, têm uma situação de arrecadação de impostos reduzida”, compara a especialista.

Ainda de acordo com Latussa, para resolver os problemas de uma região, quando as pessoas a enxergam e utilizam como sendo uma cidade só, é preciso de integração.

“A integração do sistema Transcol é um bom exemplo. Ela permitiu que uma pessoa de um município possa trabalhar ou estudar em outro e pagar apenas uma passagem para percorrer todo o trajeto. Na Região Metropolitana, as pessoas transitam entre as cidades sem perceber os limites municipais”, afirma.

PARTICIPAÇÃO DAS EMPRESAS

Algumas das maiores empresas do país escolheram a Região Metropolitana para abrigarem seus negócios. Entre elas estão a Vale, em Vitória; o Grupo Águia Branca, em Cariacica; e a ArcelorMittal, na Serra.

Atualmente, a ArcelorMittal tem cerca de 10 mil empregados, entre diretos e indiretos. “Somos responsáveis por cerca de 13% do PIB do Espírito Santo e também respondemos, em termos de arrecadação, por expressivo volume em receita: somente em 2020, foram mais de R$ 325 milhões entre ICMS e ISS”, destaca o CEO ArcelorMittal Aços Planos América do Sul, Jorge Oliveira.

Ele acrescenta que a empresa é responsável por mais de 16% da produção nacional de aço bruto e tem como estratégia priorizar os fornecedores locais. “Mantendo, dessa forma, ampla cadeia local com injeção de milhões de reais, anualmente, em produtos e serviços”, complementa Oliveira.

Vista aérea da Serra
Vista aérea da Serra. Crédito: Carlos Alberto Silva/A Gazeta

Durante a pandemia da Covid-19, entre os meses de janeiro e junho de 2021, a Vale destinou R$ 1,4 bilhão em compras com fornecedores locais no Espírito Santo.

Nesse período, a média de contratação de produtos e serviços locais foi de 54%. Foram realizados negócios com 421 empresas no Estado pela mineradora que mantém 13,5 mil funcionários, entre próprios e terceirizados.

O presidente do Grupo Águia Branca, Renan Chieppe, destaca que as empresas vêm desenvolvendo diversas ações voltadas ao bem-estar social e desenvolvimento regional.

“Um exemplo é a Amigab, nosso programa de engajamento. E o outro é o projeto da Escola de Tempo Integral. Além de sermos parceiros do projeto, nosso ex-vice-presidente de Relações Institucionais, Luiz Wagner Chieppe, teve participação ativa na sua implantação. Temos muito orgulho em falar deste projeto, do quanto nos engajamos e acreditamos nele”, comenta. ;

SOLUÇÃO PARA PROBLEMAS PEDE PARCERIA

“A solução dos problemas de aglomeração urbana estão ligados à melhoria de infraestrutura. Sabemos que o maior adensamento populacional traz questões que não aparecem em outras regiões, como o aumento da criminalidade. Mas o Espírito Santo vem avançando em segurança pública e também na assistência às famílias que mais precisam de apoio do poder público, com educação, saúde e lazer”, diz a diretora de Estudos e Pesquisas do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Latussa Laranja.

O economista e conselheiro do Conselho Regional de Economia (Corecon), Heldo Siqueira, aponta que, para reduzir a desigualdade e impedir o crescimento da violência é necessário incentivar a geração de emprego e ampliar a renda dos trabalhadores da região. Isso pode ser feito com o incentivo de novos investimentos, por meio de financiamentos.

“Além disso, o investimento público direto também tem capacidade de melhorar a renda da população através da contratação de novos trabalhadores e prestando gratuitamente serviços que a população teria que pagar”, explica. Para o prefeito da cidade de Vitória, Lorenzo Pazolini, é preciso diálogo, pensar nas necessidades de seus habitantes e trabalho em conjunto para que os municípios se desenvolvam.

“É preciso pensar no todo, de forma integrada. Já treinamos a guarda municipal de Viana e agora estamos fazendo o mesmo com Cariacica. Além disso, disponibilizamos toda a nossa tecnologia do sistema de marcação de vacinas para os demais municípios do Estado”, elenca.

Já o prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, lembra que as cidades metropolitanas têm muito em comum. “Às vezes, elas utilizam recurso público para fazer a mesma coisa. Enxergando a região metropolitana como um grande município, poderíamos, por exemplo, melhorar a aplicação do dinheiro público. Se os municípios se integrarem, eles serão beneficiados. Isso evitaria competição entre as cidades e também traria melhorais nas áreas de saúde, educação, segurança pública e infraestrutura”, avalia. ;

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