Projetos comunitários e redes de apoio desenvolvidos por mulheres no Espírito Santo têm se destacado em diversas frentes sociais. O escopo dessas iniciativas vai desde a sustentabilidade com a reciclagem de óleo até a preservação da identidade e culinária quilombola. Há coletivos que usam a produção audiovisual e a valorização da beleza afro por meio de trancistas para gerar capacitação, grupos de networking para alavancar os negócios de mães solo, além de polos focados em economia criativa e educação inclusiva.
Além disso, outros projetos atuam no combate à violência doméstica, rural e institucional, oferecendo suporte logístico, jurídico e emocional às vítimas. O mapa de ações abrange ainda o acolhimento psicológico de mães atípicas e cuidadoras, a promoção de cidadania para mulheres nas periferias e em situação de rua, e o fortalecimento do movimento de mulheres negras, formando uma rede de proteção.
Para mostrar a força dessa rede na prática, a reportagem de A Gazeta detalha a seguir a história de quatro desses coletivos. Estes, aliás, estão entre os 20 grupos premiados, neste ano, pelo governo do Estado em R$ 10 mil por boas práticas para as mulheres.
MEIQUE: Reciclagem de óleo vira renda em Alegre
No Morro do Querosene, em Alegre, o projeto Meique nasceu no final de 2019 com a proposta de atuar no descarte desenfreado de óleo de cozinha usado, uma falha sistêmica da região e um dos maiores poluentes da bacia do Rio Itapemirim. Por meio de um processo de saponificação, o coletivo de mulheres recicla o resíduo e o transforma em produtos de limpeza.
A secretária do grupo, Nátali Feliciano, explica que a iniciativa foi desenvolvida por estudantes do time Enactus, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), com foco em ajudar "Mulheres Empreendedoras Individuais do Querosene" – de onde foi originada a sigla Meique.
O projeto se transformou em um negócio de impacto socioambiental liderado pelas próprias moradoras. "Quando elas tiveram a noção de que a água que passa no Rio Itapemirim é a mesma que elas bebem, veio aquele estalo, aquela luz na mente. Elas pensaram: 'chegou a hora de fazer alguma coisa'", relembra Natáli.
O Meique já processou mais de 17,1 mil litros de óleo, evitando a contaminação de mais de 425 milhões de litros de água.
Ao detalhar o uso do recurso da SESM nas operações do projeto, Natáli destaca que o reconhecimento serve como uma resposta à desvalorização do trabalho manual. "A gente ainda encontra uma certa subestimação das pessoas, do tipo 'ah, sabão eu também sei fazer'. Mas não estamos falando de simplesmente fazer sabão, estamos falando de uma escala maior de reciclagem, de geração de renda e de dar boa visibilidade para uma comunidade inteira. Sentimos um pouco mais de segurança financeira e nos sentimos valorizadas com a premiação", relata a secretária.
Rede Capixaba atua no apoio a mães atípicas
Hoje, o coletivo apoia 170 famílias e o projeto de mulheres possui encontros mensais com terapeutas e psicólogos que intercalam os formatos presencial e online. De acordo com a criadora, a flexibilidade permite a participação de mães que não podem sair de casa devido à rotina de cuidados com os filhos acamados.
Combate à violência
"Mãos que Criam" e "Ubuntu" promovem economia criativa e capacitam mulheres no Sul
As mulheres aprender a confeccionar biojoias usando as conchas características da região, servindo como complemento de renda. O projeto Mãos que Criam já capacitou mais de 800 mulheres e Liza Andréa conta que o prêmio de R$ 10 mil será investido na compra de kits de materiais para ampliar o atendimento e aprendizado. "O resultado do projeto é brilhante. Ver elas [as participantes] resgatando a sua própria identidade, a sua autonomia, levando para dentro de casa o seu sustento, muitas das vezes, para suas crianças", relata.
As capacitações são importantes porque quando a gente reúne várias mãos de mulheres que querem transformar um pouquinho da sua realidade, isso acaba refletindo na família delas e em todo o seu entorno
Liza Andréa dos Santos Idealizadora e coordenadora do projeto Mãos que Criam
- A rua é das Marias;
- Acolhimento Social e Emocional para Mulheres Vítimas de Violência, Empreendedoras ou Não;
- Culinária Quilombola, Afirmação e Preservação da Identidade no Quilombo São Cristóvão;
- Erguer a Voz (faz parte do Instituto Cine por Elas);
- Fases e formas;
- Inclusão e Pertencimento e Oportunidade: Caminhos que Encorajam Meninas e Mulheres no ES;
- Mãos que criam;
- MCDS - Mulheres Conectadas com Sucesso;
- MEIQUE;
- Movimento Libertas;
- Mulheres curadas para curar;
- Mulheres em Ação;
- Mulheres Fortes;
- Mulheres Negras em Movimento;
- Mulheres Semeando Sucesso;
- Parem de nos Matar;
- Periferia Consciente;
- Quadro de Esperança;
- Mulheres Extraordinárias – Rede Capixaba de Acolhimento e Fortalecimento de Mães; Atípicas e Mulheres Cuidadoras;
- Ubuntu- Rede de Empoderamento Feminino;
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