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Direito do trabalhador

Final do ano é uma boa época para pedir demissão?

Profissional perde alguns direitos como receber o 13° integral, direito ao saque do FGTS e ainda arriscar a carreira em seleções futuras

Publicado em 27 de Novembro de 2025 às 14:03

Diná Sanchotene

Publicado em 

27 nov 2025 às 14:03
Pedidos de demissão no final do ano
Pedidos de demissão no final do ano Crédito: Freepik
No final do ano, muita gente aproveita para traçar novas metas e planejar os próximos passos na carreira. Mas será que o fim do ano é uma boa época para pedir demissão? Especialistas alertam que a decisão vai depender da situação em que o trabalhador se encontra e que esta pode não ser uma decisão acertada, caso não se tenha uma outra proposta em vista.
Do ponto de vista financeiro, o advogado Guilherme Machado salienta que este pode não ser o momento mais vantajoso. Segundo ele, quem se desliga antes de 20 de dezembro perde o direito ao 13º integral, recebendo apenas o valor proporcional. Outra desvantagem é perder o benefício de férias coletivas concedidas por algumas empresas.
Além disso, o empregado que pede demissão perde o direito ao saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e à multa de 40%, além de não poder receber seguro-desemprego.
Antes de tomar de se decidir pelo desligamento, a especialista em carreiras e CEO da Jobz Luciana Roberty orienta  o trabalhador fazer uma análise de mercado e de comportamento organizacional.
Isso porque o período entre outubro a dezembro representa um dos maiores ciclos de contratação do país, especialmente no varejo e na logística, mas a natureza dessas vagas é majoritariamente temporária. E isso pode influenciar diretamente na estratégia de quem está empregado e quer pedir demissão.
“As contratações mais decisivas ocorrem após o fechamento do ano fiscal, com metas e orçamento do ano seguinte, na maioria das vezes nos meses de janeiro e fevereiro. Isso significa que dezembro é forte para entrada temporária, mas fraco para recolocação”, comenta Luciana.
Ela ressalta que pedir demissão no final do ano, sem uma proposta assinada, pode colocar o profissional em um cenário de risco, pois são poucas vagas efetivas abertas. De acordo com a especialista, a única situação profissionalmente segura é quando já existe uma proposta formal, com um contrato confirmado, salário definido e data de admissão registrada.
“Sem isso, a decisão passa de estratégica para arriscada. Além disso, devemos levar em conta os aspectos psicológicos e reputacional, pois final do ano é um momento sensível para equipes corporativas, já que há acúmulo de demanda, metas de fechamento e turnos intensificados”, comenta.
Outro alerta dado por Luciana é que profissionais que pedem desligamento nesse período geram impactos operacionais e, em alguns casos, prejuízo reputacional. Isso, segundo ela, conta historicamente em processos seletivos futuros, especialmente em cargos administrativos e de liderança.
E se o objetivo é mudança de carreira, o mais adequado é permanecer empregado até janeiro. Ela orienta que o trabalhador deve utilizar dezembro para networking, atualização e entrevistas discretas, planejar uma transição organizada e ética e alinhar saída com período pós-férias coletivas, conforme orienta a especialista em carreira.
“Essa estratégia protege a renda, a reputação e a continuidade profissional. A movimentação é tecnicamente mais segura no início do ano, quando as empresas reorganizam seus times e abrem vagas efetivas. Fora isso, a decisão tende a gerar mais risco do que avanço”, finaliza.

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